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	<title>Language Trainers Brasil : Blog</title>
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		<title>Feriado!</title>
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		<pubDate>Fri, 04 May 2012 01:19:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Teixeira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ Ah os feriados prolongados! Quem não os adora? E como nós desse blog também somos filhos de Deus sofremos um pequeno recesso (e um pequeno intervalo sem nenhuma postagem) devido à sequência de feriados com a qual fomos agraciados nas últimas semanas. Tal sequência, para mim começou ainda mais cedo, dia 14 de abril [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"> Ah os feriados prolongados! Quem não os adora? E como nós desse blog também somos filhos de Deus sofremos um pequeno recesso (e um pequeno intervalo sem nenhuma postagem) devido à sequência de feriados com a qual fomos agraciados nas últimas semanas. Tal sequência, para mim começou ainda mais cedo, dia 14 de abril (aniversário de Caçapava, a cidade simpatia, e consequentemente Feriado Municipal), depois passou para um importante feriado cívico (Tiradentes – Feriado Nacional) e depois para um feriado cívico internacional com direito à emenda (ou ponte): 1º de maio (Dia Internacional do Trabalho – Feriado Nacional). Sempre que os astros se alinham e nos brindam com um calendário cheio de oportunidades para visitas ao litoral (uma pena que o clima não tenha feito o mesmo, mas enfim) um político, intelectual, economista ou representante das indústrias começa a reclamar da quantidade de feriados que temos no Brasil, do prejuízo que eles causam etc. É claro, essas pessoas não levam em conta os benefícios ao turismo e a saúde psicológica do trabalhador trazidos pelos feriados prolongados, esquecem também de que os feriados já estão “programados” (há um bom tempo), logo, basta que as empresas (e muitas o fazem) organizem um programa de reposição para as emendas (ou pontes dos feriados).</p>
<p></p>
<p align="justify"> Mas, deixemos as pontes (pelo momento) de lado e falemos dos feriados em si. Feriados são datas comemorativas. Tais datas podem ser tanto de origem cívica quanto religiosa, o fato é que são reconhecidas pelos diversos âmbitos do Estado (municipal, estadual, nacional). Nessas datas o povo é liberado de seu trabalho normal para poder participar da comemoração em questão (pelo menos esse é o argumento original). Logo, no âmbito em questão, municipal, estadual ou federal, um feriado não é considerado como um dia útil (o que, particularmente, considero uma terminologia ofensiva. Afinal, isso faria do feriado o que? Um dia inútil?). Na prática isso quer dizer que esse dia não é considerado para o vencimento de prazos judiciais, contratuais e econômicos; instituições bancárias e órgãos públicos (com algumas exceções) não funcionam e a maior parte do comércio está fechada.</p>
<p></p>
<p align="justify">Deixemos agora a semântica de lado e vejamos de onde veio o termo “feriado”? Por que os dias nos quais nos estamos liberados de nosso trabalho recebem tal nome? Simples. De acordo com o meu querido exemplar do Houaiss (e também com algumas pesquisas em dicionários online) a palavra feriado vem de “féria”. “Féria”, por mais incrível e desconhecida que pareça, faz parte da língua portuguesa (ainda hoje) e significa o valor que um trabalhador recebe por um determinado dia como pagamento por sua força de trabalho. É o “soldo” diário de um trabalhador, ou seja, o pagamento por um dia de trabalho. Então, “feriado” seria um dia do qual a féria já está garantida, ou seja, o dia já está ganho, já está pago, não havendo, portanto, a necessidade de trabalhar para ganhar o pão, afinal o pão (pelo menos o do “feriado”) já está ganho.</p>
<p></p>
<p align="justify">Confirma-se assim que a melhor forma de definir resumidamente o feriado é o bordão de um amigo meu (oferecendo cerveja a seus convidados):  “pode pegar mais uma que tá paga”!</p>
<p></p>
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		<title>Tropicália: o movimento</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Apr 2012 02:47:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Teixeira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A Tropicália ou tropicalismo foi um movimento cultural e artístico brasileiro que surgiu em 1967. Mais precisamente, a tropicália nasceu em uma noite em 1967 (pelo menos de acordo com o aclamado documentário “Uma noite em 67”). Embora, o movimento tenha sido batizado com o nome de uma instalação do artista plástico Hélio Oiticica – [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Tropicália ou tropicalismo foi um movimento cultural e artístico brasileiro que surgiu em 1967. Mais precisamente, a tropicália nasceu em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Uma_Noite_em_67">uma noite em 1967</a> (pelo menos de acordo com o aclamado documentário “Uma noite em 67”). Embora, o movimento tenha sido batizado com o nome de uma instalação do artista plástico Hélio Oiticica – primeiro a instalação do artista nomeou uma música de Caetano Veloso e, depois, o próprio movimento artístico – e de ter expandido suas influências para o cinema, o movimento nasceu e floresceu com mais força na música. Hoje, em retrospectiva, o movimento é considerado como o grande momento da música brasileira pós-bossa-nova (apesar de todas as críticas, dos “roqueiros” 80 dos e adeptos da bossa).</p>
<p></p>
<p>Mais uma vez de acordo com o documentário Uma Noite em 67, a ideia da Tropicália teria nascido quando Caetano Veloso e Gilberto Gil escutaram os álbuns das fases mais experimentais dos Beatles (do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Magical_Mystery_Tour">Magical Mistery Tour</a> para frente). Segundo o próprio Caetano, Gil teria enlouquecido ao ouvir os experimentalismos dos quatro rapazes de Liverpool e teria resolvido realizar experimentos semelhantes utilizando ritmos e sons tipicamente brasileiros. Do Brasil tradicional e popular, do Brasil profundo.</p>
<p></p>
<p>O movimento já nasceu polêmico durante o Festival da Canção de 1967. Poucos dias, depois de uma passeata contra a Guitarra Elétrica (sério! Ela era considerado símbolo do Imperialismo Cultural ianque) – da qual, estranhamente, Gilberto Gil tomou parte – Gilberto Gil subiu no palco acompanhado dos futuros companheiros de tropicália, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Os_Mutantes">os Mutantes</a> a banda de Rock mais experimental do Brasil e uma das mais experimentais do mundo. Com guitarras elétricas e cabelos longos, a banda parecia um bando de argentinos invadindo o palco do mais importante evento cultural da época no Brasil. Já, seu companheiro Caetano, subiu com a banda <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Beat_Boys">Beat Boys</a> que não só pareciam, como eram argentinos invadindo o palco do mais importante evento cultural da época no Brasil. O evento ainda contou com a apresentação de Tom Zé (porém, esse acabou menos popular que o segundo).</p>
<p></p>
<p>A aprovação completa do público (principalmente do público jovem) e da crítica (Caetano Veloso, com Alegria, Alegria, ficou quarto lugar e Gil com Domingo no Parque, ficou em segundo). No mesmo ano, o grupo (Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Torquato Neto e Os Mutantes) lançaram o Disco <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tropicalia_ou_Panis_et_Circencis">Tropicália ou Panis et circenses</a>, que serviu de disco de estreia e de manifesto do movimento.</p>
<p></p>
<p>Com ideais semelhantes aos da Antropofagia de 1922, o movimento tropicalista também consistia da mistura de elementos pop da cultura globalizada com elementos tradicionais do Brasil profundo. Mais precisamente, a tropicália era a conjunção dos hippies e dos hipster (ou seja, de toda a geração influenciada pelo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/On_the_Road">“On the Road”, Pé na Estrada</a>) com o Brasil profundo, litorâneo, ensolarado e tropical.</p>
<p></p>
<p>Bom, conforme dito anteriormente, o próprio nascimento do movimento já é contrário a ideia dos condomínios fechados. Profundamente influenciado pelas ideologias populares pós-On the Road, o movimento tropicalista pedia por um mergulho no mundo, por um conhecimento mais empírico e menos elitista, menos Torre de Mármore.</p>
<p></p>
<p>Todos esses ideais são diametralmente opostos à ideia de isolamento, segurança e exclusividade dos condomínios fechados. Por isso, tamanha birra de Caetano, Tom Zé e Gil com o uso do nome do movimento do qual fizeram parte e com as referências às suas músicas no nome dos prédios e no <i>folder</i> promocional. Por isso, as cartas de protesto de alguns dos maiores artistas brasileiros do século XX, que talvez mereçam ter sua obra e seus ideias &#8211; se não admirados – ao menos respeitados.</p>
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		<title>Tropicália: a &#8220;homenagem&#8221;</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Apr 2012 19:27:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Teixeira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A tropicália da Odebrecht é um condomínio de alto padrão construído em Salvador, BA. Lendo o folder promocional, acabei por descobrir que a Odebrecht também nasceu na Bahia, assim como o movimento tropicália original. É importante entender exatamente o que é a tropicália da Odebrecht para sermos capazes de entender toda a birra de Tom [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">A tropicália da Odebrecht é um condomínio de alto padrão construído em Salvador, BA. Lendo o <i>folder</i> promocional, acabei por descobrir que a Odebrecht também nasceu na Bahia, assim como o movimento tropicália original. É importante entender exatamente o que é a tropicália da Odebrecht para sermos capazes de entender toda a birra de Tom Zé (e de Gil, e de Caetano) com essa tal “homenagem” ao movimento que criaram.</p>
<p></p>
<p align="justify">O condomínio Tropicália é um desses condomínios fechados modernos repletos de opções de lazer, para adultos e crianças, com o fim de que seja cada vez menos necessário deixar a área protegida do condomínio. Não é por acaso que muitos sociólogos, estudiosos da arquitetura das cidades e outros pensadores da vida urbana, comparam tais condomínios aos castelos e cidades muradas da Europa Medieval. A ideia, no fundo, é a mesma: ser o mais autossuficiente possível para que as saídas da área murada, e, portanto, protegida, possam ser evitadas o máximo possível.</p>
<p></p>
<p align="justify">Esse seria, segundo Tom Zé, o cerne da questão. A Tropicália, o movimento artístico, se focava na mistura de tipos urbanos (e rurais), de pessoas, de ritmo, de cores e de modos. Para os tropicalistas, o que esses grandes condomínios modernos parecem fazer é justamente o contrário, parecem ter sua estrutura planejada para impedir a mistura, ou antes, impedir o contato (controle de acesso, espaços privativos, elevadores exclusivos, piscinas próprias, etc). Essa incompatibilidade filosófica deixa de ser apenas uma disputa por palavras e conceitos, quando colocada no contexto das mais recentes manifestações dos movimentos progressistas contra algumas atitudes da prefeitura de Salvador acusada, por esses, de estar colaborando com e promovendo a “privatização” das áreas públicas da cidade (carnaval, praias, praças). A questão, então, deixa o plano do linguístico/cultural, para se tornar uma questão social e de planejamento urbano.</p>
<p></p>
<p align="justify">É nessa diferença ideológica e política, que se baseiam Tom Zé e os tropicalistas para rechaçarem a “homenagem” feita pela Odebrecht. Essa, pelo visto, parece ser a única base para que os tropicalistas exijam a mudança de nome, visto que do ponto de vista legal, a mudança de nome talvez não se faça necessária.</p>
<p></p>
<p align="justify">Tropicália é o nome de um movimento cultural. Que segundo a Odebrecht não foi nem cunhado por esses artistas (e sim, por um artista plástico, Hélio Oiticica. O nome da obra de Otiticica foi utilizado, como referência, para batizar uma música de Caetano e, por conseguinte, todo o movimento) e em nenhum momento foi registrado ou transformado em propriedade intelectual, visto que, de acordo com o próprio ideário do movimento, que eles agora utilizam como argumento para questionar a utilização do nome, tal registro não seria apenas desnecessário, como seria um impedimento à ideia de fusão e de mistura (não existia a licença <i>“Creative Commons”</i> na época). Logo, os tropicalistas não podem se basear na infração de direitos autorais em um eventual processo para a mudança de nome do empreendimento (até aqui em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ca%C3%A7apava">Caçapava</a>, existe um estabelecimento chamado Tropicália, uma pequena casa de sucos e lanches naturais, a questão levantada por Veloso não é o uso do nome, mas a forma de tal uso). Quanto as referências a nomes ou a trecho famosos de canções, também acredito que nada pode ser feito. Embora, todo o <i>folder</i> promocional seja composto por trocadilhos (ou referências) com famosas canções da MPB (de Caetano, de Belchior, de Jorge Ben Jor), não me parece que a Odebrecht possa ser acusada de algo mais do que de falta de criatividade (que, embora nada agradável, não pode ser criminalizada: não vai haver cadeia suficiente em lugar algum do mundo).</p>
<p></p>
<p align="justify">A série de posts contínua na semana que vem onde tentaremos explicar a origem do nome e do movimento tropicália.</p>
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		<title>De quem é essa palavra?</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Mar 2012 21:04:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Teixeira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os projetos de lei designados pelas siglas, em inglês, SOPA e PIPA (que estranhamente formam palavras que denotam coisas agradáveis em português) do congresso americano para a regulação dos direitos autorais na Internet e as ações concretas do FBI contra os sites de compartilhamento de arquivos colocaram os direitos autorais no centro de todas as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Os projetos de lei designados pelas siglas, em inglês, SOPA e PIPA (que estranhamente formam palavras que denotam coisas agradáveis em português) do congresso americano para a regulação dos direitos autorais na Internet e as ações concretas do FBI contra os sites de compartilhamento de arquivos colocaram os direitos autorais no centro de todas as mesas de discussão (virtuais, <i>etílicas</i> ou <i>cafeínicas</i>).</p>
<p></p>
<p align="justify">Obviamente, os direitos autorais não podem ser abolidos. Não apenas porque é um “direito” do autor ser pago e ganhar dinheiro com sua obra (como é direito de qualquer um receber uma compensação financeira pelo trabalho que aplicou em algo), como também é essencial para a manutenção da própria atividade artística (ou escritores vão ter que voltar a trabalhar como funcionários públicos – como Kafka e Machado de Assis; e os poetas e os pintores precisarão recorrer a cicerones). Contudo, também é óbvio que as novas mídias de transmissão e produção de cultura não podem ser ignoradas, evitadas, censuradas ou destruídas. Mídias são tecnologias e tecnologias ao contrário da cultura, ao menos da boa cultura, se tornam obsoletas. Logo, a solução é encontrar uma saída que utilize as inovações tecnológicas, sem prejudicar o criador do produto cultural. O difícil é encontrar uma saída que consiga separar o que é tecnologia e o que é produção cultural para que os novos meios de distribuição passem a ser utilizados sem incorrer em prejuízo profissional ou financeiro para os criadores.<br />
Mas, este não é um blog sobre direitos ou leis, e sim, sobre palavras. E qual a relação das palavras com a questão dos direitos autorais? Simples. Pode ser resumida em uma (ou duas) perguntas “<i>quando palavras ou conceitos deixam de serem palavras ou conceitos e se transformam em marcas registradas ou em propriedade intelectual</i>?”; “<i>quando e como <b>maçã</b> deixa denotar uma fruta e um símbolo (tanto do pecado quanto do conhecimento) e passa a denotar objetos tecnológicos que são símbolos de inovação, de status e de “hype”</i>?</p>
<p></p>
<p align="justify">No caso da <i>maçã</i> parece não haver problemas que não possam ser resolvidos pelo simples bom senso (eu acredito que, no fundo, a grande maioria dos problemas pode ser resolvida apenas com uma aplicação de bom senso, mas isso é outra história), afinal essa é uma palavra comum e ninguém sabe quem a cunhou. Mas, e no caso de um neologismo ou conceito criado por um artista, escritor ou filósofo? Mesmo que ele não tenha sido registrado como marca (porque não é uma marca) essa palavra poderia ser considerada sua “propriedade intelectual”? Poderia ele tentar regular seu uso ou ao menos seu uso “comercial”?</p>
<p></p>
<p align="justify">Essa é a nova questão de direitos autorais que está no centro das mesas (<i>virtuais, etílicas ou cafeinicas</i>) do Brasil e como, quase sempre, nessa questão envolve inventivos artistas pop e uma grande empresa. Porém, ao contrário do que se espera, dessa vez não é a grande empresa que quer proibir o uso ou assimilação da sua marca em um meio da cultura pop e sim um grupo de inventivos artistas pop que quer impedir o uso do nome de seu movimento (e de algumas de suas canções) por parte de uma grande empresa.</p>
<p></p>
<p align="justify">A grande empresa no caso é a Odebrecht, uma das campeãs nacionais, uma das maiores construtoras (se não a maior) do país. E os artistas inventivos em questão são: Gilberto Gil, Caetano Veloso, Rita Lee e Tom Zé, alguns dos maiores artistas do país, sem sombra de dúvida.</p>
<p></p>
<p align="justify">O termo, a palavra, em questão é <b>Tropicália</b>. O movimento da MPB iniciado e levado a cabo por Gilberto Gil, Caetano Veloso, Rita Lee, Tom Zé e muitos outros. Esse é o nome que a Odebrecht quer dar a seu novo empreendimento imobiliário, localizado na cidade de Salvador, capital da Bahia – estado natal de Gilberto Gil, Caetano Veloso e Tom Zé e, consequentemente, também da tropicália.</p>
<p></p>
<p align="justify">O que foi a tropicália de Caetano, Gil, Zé e tantos outros, o que será a tropicália da Odebrecht e o porquê dessa escaramuça (que pode se tornar jurídica) veremos nos próximos post.</p>
<p></p>
<p align="justify">Já que eu, assim como um personagem de Saramago, acho que as histórias devem ser contadas ao contrário, começarei explicando o que será a tropicália da Odebrecht e quais são as referências às canções dos tropicalistas (especialmente de Veloso), para só depois explicar o que foi a Tropicália dos artistas e porque eles acreditam que as duas tropicálias são completamente contraditórias.</p>
<p></p>
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		<title>Os mano, as mina</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Mar 2012 01:21:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Teixeira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No post anterior, eu disse que São Paulo – nossa querida selva de pedra – pode não ser a Cidade do Pecado (ou pelo menos, não apenas a cidade do pecado), mas é a Cidade dos Paradoxos. Na verdade, no país das diferenças e dos paradoxos, nada mais adequado que os maiores deles se manifestarem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">No post anterior, eu disse que São Paulo – nossa querida selva de pedra – pode não ser a Cidade do Pecado (ou pelo menos, não apenas a cidade do pecado), mas é a Cidade dos Paradoxos. Na verdade, no país das diferenças e dos paradoxos, nada mais adequado que os maiores deles se manifestarem na maior de suas cidades. A cracolândia e os Jardins, o terraço Itália e os inferninhos da Augusta, os condomínios fechados e os ambulantes vendendo água pelas ruas, a maior malha rodoviária do país, imóvel durante horas.</p>
<p></p>
<p align="justify">Mas, esses paradoxos são grandes demais para este blog (ou <i>off-topic</i> demais). Estou aqui para continuar a falar do menor deles: do plural. Como São Paulo, a cidade mais plural do país (a cidade de todas as tribos) resolveu eliminar o plural dos substantivos ao falar? Como isso se dá? Quando isso é perceptível? E por quê?</p>
<p></p>
<p align="justify">Perceber isso é muito fácil. A todo momento, em todo lugar. Basta ir até a estação de metro onde você deve pedir <i>dois unitário</i>, passear pela vinte e cinco de março que é o melhor lugar para comprar <i>umas coisinha</i> e depois terminar o passeio no mercadão que é o melhor lugar para comer <i>uns pastel</i>. Continuando suas andanças (ou deveria dizer <i>suas andança</i>) pela capital, você logo encontra <i>uns mano</i> que lhe indicam o melhor caminho <i>pelas linha</i> do metrô e dos <i>trem</i> e quantas <i>baldeação</i> você deve fazer. Tudo isso, para chegar até a Vila Mariana com <i>seus muitos barzinho</i> para tomar <i>umas breja</i> sossegadinho. E, caso você curta um agito, <i>os mano</i> também podem indicar como fazer para chegar a <i>umas balada</i> de elite, porém dificilmente haverá <i>busão</i> ou<i> metrô</i> para voltar, então você deve ligar ou esperar <i>pelos taxi</i>. Agora, se você preferir um divertimento mais alternativo (com um que de hipster), pode rodar <i>pelos inferninho</i> da Rua Augusta, atrás de <i>umas tribo urbana</i>, de <i>umas banda alternativa</i> e de <i>umas mina descolada</i>.</p>
<p></p>
<p align="justify">Espero ter deixado claro acima que o esquecimento do plural não é só uma prática <i>dos mano</i>, mas é uma prática generalizada em São Paulo, até entre aqueles que são cheios de <i>gadget</i> e comem <i>muitos cupcake</i>.</p>
<p> </p>
<p align="justify">Mas, por que isso ocorre? Por que esse descaso paulistano com o plural? De onde vem esse descaso natural e local com uma concordância nominal que a maior parte daqueles que burlam certamente dominam? </p>
<p></p>
<p align="justify">Com certeza existem explicações linguísticas confiáveis e trabalhos de pesquisa de referência a esse respeito. Trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado, teses de doutorado, <i>papers</i> de professores doutores em linguística. Infelizmente, eu não conheço nenhuma dessas explicações. Não conheço porque nenhuma delas, no fundo, irá esmiuçar o fato e explica-lo com clareza e certeza absoluta. Jogarão luz sobre o fenômeno, é claro. Exumarão sua história. Farão uma autopsia de seu desenvolvimento e funcionamento. Mas, nenhuma dessas explicações e desses procedimentos acadêmicos realmente me interessa. E, talvez, não interesse a vocês também, por isso vou criar minha própria teoria completamente lendária e pseudocientífica: São Paulo (sim, a cidade como um todo) resolveu eliminar o <i>s</i> do plural por culpa do Rio de Janeiro (sim, a cidade como um todo).</p>
<p></p>
<p align="justify">Calma, explico. Se São Paulo tem um espírito esse é um espírito ansioso e apressado. Lá se acorda como o hino “vambora, vambra. Já está na hora vambora, vambora”. Nada é mais valioso para o paulistano do que o tempo (que ele não aproveita, já o despenderá em um engarrafamento, tentando estacionar, esperando o metrô – como eu disse &#8211; uma terra de paradoxos). Todo o segundo é importante. E, cá entre nós, falar o <i>“S”</i> do plural à moda carioca (<i>“shhhhh”</i>) com tamanho chiado leva bem uns três milésimos de segundo. Uma frase inteira no plural com <i>“s”</i> pode levar de dois a três segundos a mais do que uma sem <i>“s”</i>. Dois ou três segundos a mais que podem ser a diferença entre ficar preso ou não no congestionamento, entre arrumar um lugar para sentar no ônibus ou no metrô ou fazer a viagem em pé&#8230; dois ou três segundos que na verdade, não resultarão em nada disso. Mas, no fundo, os paulistanos não têm culpa, nem consciência disso estão apenas seguindo o “Stadtgeist” (o espírito da cidade).</p>
<p></p>
<p align="justify">Um Stadgeist que embora excessivamente apressado, estressado, ansioso e preocupado com <i>as hora</i>, aprendi a amar.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>São Paulo: A cidade singular</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Mar 2012 19:02:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Teixeira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Em português brasileiro, assim como no português europeu, e em diversas outras línguas latinas, existe na gramática uma característica conhecida como Concordância Nominal. Esse termo, assim como grande parte dos termos da gramática portuguesa, e de todas as outras línguas, é muito mais difícil de explicar do que de se utilizar, ou seja, o nome [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Em português brasileiro, assim como no português europeu, e em diversas outras línguas latinas, existe na gramática uma característica conhecida como <i>Concordância Nominal</i>. Esse termo, assim como grande parte dos termos da gramática portuguesa, e de todas as outras línguas, é muito mais difícil de explicar do que de se utilizar, ou seja, o nome faz a coisa parecer muito mais assustadora do que realmente é (e não seria essa a principal razão do horror de muitos alunos e, consequentemente, da repulsa de muitos cursos de línguas à utilização do <i>“gramatiquês”</i>).</p>
<p></p>
<p align="justify">Bom, porém, como eu disse acima, a coisa é muito mais fácil de se utilizar do que de se explicar. Por isso, vou tentar explicar primeiro, sem fazer uso de um exemplo, meio que só de birra e para comprovar tal tese.</p>
<p></p>
<p align="justify">Pela terminologia “Concordância Nominal”, entendemos que todos os “nomes” da frase devem concordar entre si. Ou seja, todas as palavras que forem “nomes” (adjetivos, artigos, substantivos) devem estar no mesmo número e gênero, desde que façam parte do mesmo grupo, ou seja, se refiram, denotem, a mesma coisa. Complicado não? Vejamos então, um exemplo:</p>
<p align="justify">Comprei <i>um pão francês</i> ontem</p>
<p></p>
<p align="justify">Comprei <i>dois pães franceses</i> ontem</p>
<p align="justify">Na primeira frase o grupo nominal (no caso a coisa que eu comprei) se encontra no singular (porque comprei apenas uma coisa, ou melhor, um pão francês), <i>pão francês</i> se encontra no singular em todas as suas partes (pão e francês). Logo, os dois termos estão concordando em gênero (ambos se encontram no masculino) e número (ambos se encontram no singular). Raciocínio análogo vale para o exemplo posterior no qual o grupo nominal se encontra no plural.</p>
<p> </p>
<p align="justify">Essa é uma regra muito simples e intuitiva da língua portuguesa ( e de outras línguas latinas) e é usada em praticamente todos os níveis de linguagem (formal ou informal) e por quase todo o país. Sim, eu disse quase. Porque não existe plural em SP (São Paulo). São Paulo é a terra onde não existe plural, principalmente na linguagem falada e às vezes independendo do nível de formalidade (a menos é claro, que seja um discurso oficial). Ao contrário do que se pensaria normalmente, essa falta de plural é uma prática muito mais difundida na cidade de São Paulo (na capital) do que no Interior (sim, o interior é <i>caipira</i>, mas grande parte dele faz uso do plural).</p>
<p></p>
<p align="justify">São Paulo, no país da maior e mais famosa selva do mundo, é carinhosamente conhecida como a selva de pedra. Uma megalópole que, somando-se as cidades com as quais se conurbou, possui XX milhões de habitantes.</p>
<p></p>
<p align="justify">Se o Brasil foi realmente feito em um caldeirão étnico e cultural, em nenhum outro lugar do país foram utilizados tantos ingredientes diferentes. Europeus, asiáticos, negros, migrantes de várias regiões, partricinhas, manos, emos&#8230; Todos se encontram em São Paulo. Nenhuma outra cidade é tão plural. São Paulo, a única grande cidade brasileira que não é portuária, e que se desenvolveu tanto, justamente por ser o local em que várias estradas (e caravanas) se encontravam. Ou seja, à moda de Roma, todos os caminhos levam a São Paulo.</p>
<p> </p>
<p align="justify">Mas, lá existem paradoxos. Porque até mesmo os paradoxos se encontram nessa imensa encruzilhada que é paulicéia. Milhões de opções culturais e uma mobilidade urbana imóvel. A extrema riqueza e a extrema pobreza, praticamente lado a lado. Lindos monumentos e prédios abandonados, em um vocabulário Caetanístico, coisas belas que são erguidas e destruídas pela força da grana. Então, o fato de a cidade mais plural do país ignorar o plural na língua (na língua falada) e apenas mais um desses paradoxos e, aparentemente o menor deles.</p>
<p></p>
<p align="justify">No próximo artigo, discutiremos como, quando e porque (em um mero levantamento de hipóteses) isso ocorre.</p>
<p></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Quarta-feira de cinzas&#8230; e tá tudo acabado.</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Mar 2012 00:57:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Teixeira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[“Por que esse nome, mãe, quarta-feira de cinzas?”
“Porque depois de todos esses dias cantando, dançando e pulando, só o que resta desse pessoal são as cinzas”.

Talvez não tenha acontecido exatamente assim. Muito provavelmente não aconteceu exatamente assim. Mas em algum momento de minha infância, um diálogo bem semelhante ao acima foi travado por mim e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify"><i>“Por que esse nome, mãe, quarta-feira de cinzas?”<br />
“Porque depois de todos esses dias cantando, dançando e pulando, só o que resta desse pessoal são as cinzas”.</i></p>
<p></p>
<p align="justify">Talvez não tenha acontecido exatamente assim. Muito provavelmente não aconteceu exatamente assim. Mas em algum momento de minha infância, um diálogo bem semelhante ao acima foi travado por mim e por minha mãe. Muito provavelmente essa também foi minha primeira dúvida semântica e etimológica.</p>
<p></p>
<p align="justify">Dúvida essa que minha mãe resolveu responder com uma fábula. Nessa época, é claro, ela ainda não poderia saber o quanto eu me interessaria por semântica e por fábulas. Nessa época, aliás, eu mal sabia como era o carnaval de verdade e imaginava-o como algo muito semelhante a um baile de máscaras, com confetes e serpentinas para todos os lados; algo que, já naquela época, não passava de uma fábula.</p>
<p></p>
<p align="justify">Hoje, contudo, duvido que minha mãe realmente tenha acreditado na resposta fabulosa que me dera. Afinal, sempre fora, e ainda é, mais do que nunca, católica fervorosa. Sempre ia (e ainda vai) às missas nas fatídicas quartas. Não perdia (e ainda não perde) uma missa de cinzas. Então, porque fornecer essa explicação fabulosa? Para cessar as perguntas? Prefiro acreditar que não. Para manter vivo o espírito da fantasia no coração do menino? Também duvido. Fabulas nunca combinaram muito com minha mãe, uma descendente de imigrantes do sul da Itália criada no ambiente rural. Acostumada desde cedo ao trabalho é uma mulher prática. Mais do que isso, ensinada desde cedo a valorizar o trabalho é uma mulher pragmática. Nunca fora dada nem ao menor dos escapismos. Então, por que responder a pergunta com uma espécie de etimologia lendária, fabulosa? Simples, por uma pequena ironia. Uma pequena, sutil e inocente ironia que eu, ali, menino, não fui capaz de entender, reconhecer ou apreciar. Mal sabia ela, contudo, o quanto eu viria a entender, reconhecer e apreciar as ironias e, mais do que isso, a pratica-las com uma frequência e sofisticação que ela jamais sonhara.</p>
<p></p>
<p align="justify">Hoje, adulto, mergulhado na era da informação, aceitar tal explicação não é mais possível. Nem justificável. Então, refaço, dessa vez para mim mesmo, a pergunta: <i>por que esse nome: quarta-feira de cinzas?</i></p>
<p></p>
<p align="justify">A origem é religiosa. Mais especificamente, católica. A quarta-feira de cinzas marca o início da quaresma. Um tempo de provação, de jejum e de austeridade. As cinzas são oferecidas aos fiéis como um lembrete (<i>do pó viestes, ao pó voltarás</i>) de que a vida é efêmera e passageira, sempre sujeita a morte. Um lembrete para que o fiel aceite esse caráter transitório da vida mundana e se concentre na única coisa realmente verdadeira: Deus e a vida eterna. Além de um lembrete, as cinzas também são um convite: um convite ao louvor a Deus, a mudança de vida e a outros valores da igreja católica apostólica romana.</p>
<p></p>
<p align="justify">Porém, para nós, brasileiros a quarta-feira de cinzas ainda faz parte do carnaval, ou pelo menos metade dela, afinal a maioria dos serviços e das lojas só voltam a funcionar depois do meio-dia. E, se pelo menos metade desse dia ainda faz parte da folia (ou da recuperação dela) não seria todo esse significado católico soturno demais para fazer parte do carnaval, tal como ele é por essas bandas?</p>
<p></p>
<p align="justify">Por isso que eu, e sugiro por meio deste que outros façam o mesmo, fiz o injustificável. Adulto e mergulhado na era da informação retornei a explicação fabulosa e irônica de minha mãe. Não por ignorância, mas por opção. Porque tal explicação fabulosa e irônica parece o modo perfeito para por fim a festa máxima das forças dionisíacas, a maior e mais alegre festa popular do planeta. Tal explicação, ao menos, torna essa fatídica quarta-feira mais bela e mais agradável. Tão agradável que me enche de vontade de olhar nos olhos da folia e dela despedir-me roubando as palavras de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ana_Carolina_(cantora)">Ana Carolina</a>:</p>
<p></p>
<p align="justify"><i>“Até o feriado.<br />
Quarta-feira de cinzas e tá tudo acabado”.</i></p>
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		<title>Construamos nós mesmos! Bloco a Bloco!</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Mar 2012 00:00:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Teixeira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Se o carnaval carioca (e o paulista, por conseguinte) já se afastou há tempos da farra desordenada de Dionísio na direção de uma exibição e de um espetáculo de grandiosidade e métrica apolínea; se o carnaval soteropolitano deixa a cada dia de ser um “me leva que eu vou” para ser cada vez parecido com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Se o carnaval carioca (e o paulista, por conseguinte) já se afastou há tempos da farra desordenada de Dionísio na direção de uma exibição e de um espetáculo de grandiosidade e métrica apolínea; se o carnaval soteropolitano deixa a cada dia de ser um “me leva que eu vou” para ser cada vez parecido com uma balada de classe alta ou com uma boate da moda, estaria o carnaval brasileiro, então, renegando todos os traços da influência dionisíaca? A resposta negativa (a salvação?) está nos auto(des)organizados “Blocos”. Mas, o que é um “bloco”?</p>
<p></p>
<p align="justify">Bloco, segundo uma das quase quarenta concepções apresentadas pelo meu exemplar do <b>Houaiss</b> (que é meu xodó e que me preocupa já que corre o risco de ter a nova edição retirada das livrarias, porém deixemos isso para um dos próximos posts), é definido como:</p>
<p></p>
<p align="justify"><b>6.</b> <i>fig. Conjunto de coisas consideradas como uma unidade, seja por sua proximidade ou contiguidade (física ou temporal) ou por apresentarem alguma homogeneidade ou semelhança.</i></p>
<p></p>
<p align="justify">Desse sentido figurado, nasce a figura do bloco de carnaval. Um conjunto de pessoas (foliões) considerado como uma unidade mais por sua proximidade e contiguidade física do que por qualquer harmonia, ensaio, filiação, fantasia ou traje.</p>
<p></p>
<p align="justify">Uma óbvia vantagem dos blocos, em termos festeiros, é que eles não participam de “mostras competitivas” – logo, a perfeição (chata e apolínea) não é uma preocupação. Além disso, os blocos não visam encantar ou divertir ninguém, a não ser, é claro, a si mesmos &#8211; os risos que ocasionalmente causam nos transeuntes não passam de mero efeito colateral. Os membros de um bloco também não estão ali para serem divertidos por ninguém, e constituem, portanto, um sistema autossuficiente de diversão: o bloco diverte e é divertido apenas por ele mesmo.</p>
<p></p>
<p align="justify">Se o Carnaval puder ser considerado como uma forma de arte, então os blocos seriam a sua manifestação a levar a arte no sentido de “jogo” ao sentido mais extremo. E, se o carnaval é uma festa sob as bênçãos de Dionísio não pode haver, durante tais dias, sinal maior de devoção ao deus grego do que participar de um deles.</p>
<p></p>
<p align="justify">Os blocos geralmente são auto(des)organizados ao redor de um tema, uma ideia, uma música (que se repete inúmeras vezes durante a passagem do bloco). Abaixo, a título de curiosidade e variedade, cito alguns exemplos de blocos famosos que saem em diferentes lugares do Brasil:</p>
<p></p>
<p align="justify"><b>O Galo da Madrugada</b>: o maior bloco de carnaval do mundo – reconhecido oficialmente pelo Guiness Book – sai em Recife (PE) no sábado de carnaval às 7 horas da manhã, porém os foliões começam a se juntar ainda mais cedo. Foi desse horário incomum – sim, no sábado de carnaval, 7 horas da manhã é considerado &#8211; sem sombras de dúvidas &#8211; madrugada, que o bloco retirou seu nome.</p>
<p></p>
<p align="justify"><b>Bloco das Virgens:</b> homens saírem para pular carnaval vestidos de mulheres – num estilo mais &#8220;comedia dell’arte” do que no estilo do travestismo profissional – é comum no carnaval brasileiro, praticamente toda cidade tem um bloco desses. Porém, nenhum desses blocos é maior e mais famoso que o “bloco das virgens” (o maior bloco de homens vestidos de mulher do mundo, ainda não reconhecido pelo Guiness, mas já reconhecido por este blog). Sai em Crato (PE) e neste carnaval atraiu mais de 5 mil pessoas.</p>
<p></p>
<p align="justify"><b>Juca Telles</b>: Quem disse que caipira não gosta de carnaval? São Luís do Paraitinga (SP) é a maior representante do carnaval em terras caipiras e o Juca Telles o maior representante do carnaval da cidade. É o bloco que abre o carnaval luizense e, assim como a maioria dos blocos da cidade recebeu seu nome de uma figura mítica das cercanias (no caso, na verdade, do codinome de Bernardo de Souza Pinto). Bernardo ou Juca, no caso, era um oficial de justiça (!) conhecido por ser um excelente anfitrião – sempre recebia seus convidados com uma mesa farta com café e queijo – e um visitante exigente – esperava que seus convidados lhe tratassem, no mínimo, da mesma forma.</p>
<p></p>
<p align="justify"> É claro que os exemplos dados acima são apenas uma ridícula amostra. Existem milhares de blocos espalhados pelo Brasil e muitos outros surgem ano após ano. Afinal, não é preciso muita burocracia para fundar (ao contrário, de para fundar qualquer outra coisa no resto do Brasil), um bloco.</p>
<p></p>
<p align="justify">Basta ter uma ideia ou um tema (só precisa ser engraçado, não precisa ser original), compor uma música de letra colante e ritmo constante, avisar às autoridades responsáveis (a constituição do Brasil só permite que pessoas se agrupem em locais públicos com aviso prévio às autoridades competentes, não para impedir ou autorizar, mas para evitar que um agrupamento se choque ou misture-se a outro), escolha um dia do carnaval (ou não), um horário, junte um monte de gente e se divirta!</p>
<p></p>
<p align="justify"> Não pode haver forma mais eficaz de cair nas graças (e nos prazeres) de Dionísio.</p>
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		<title>We are Folia</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Feb 2012 18:07:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Teixeira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Como dito no post anterior, minha grande dificuldade em explicar para os gringos o que era o “Carnaval” passava, sempre, por ter que explicar que o evento não se resumia ao Carnaval da Sapucaí exibido pelas TVs mundo afora. Mas sim, que o Carnaval era um evento plural que tomava conta (ou, caso você fizesse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Como dito no post anterior, minha grande dificuldade em explicar para os gringos o que era o “Carnaval” passava, sempre, por ter que explicar que o evento não se resumia ao Carnaval da Sapucaí exibido pelas TVs mundo afora. Mas sim, que o Carnaval era um evento plural que tomava conta (ou, caso você fizesse parte da resistência, não tomava) conta do país todo. E que cada região, cada estado ou, melhor cada cidade do país tinha um jeito próprio e especial de comemorar esses quatro dias (Four days, man!!) de folia.</p>
<p></p>
<p align="justify">Mais do que isso, ainda criticava o famosíssimo carnaval do Rio de Janeiro. Dizia que embora estonteantemente belo, me parecia mais um espetáculo de cheerleader gigante (os gringos entendiam essa metáfora), um megaespectáculo da Broadway ou até mesmo uma gigantesca pintura em avenida. Enfim, o Carnaval da Sapucaí me desagradava por ser apolíneo demais e, para mim, o carnaval sempre foi uma festa que devia ser comemorada em estilo Dionisíaco.<br />
Como oposição, falava sobe o trio elétrico e sua simplicidade. Coloque-se uma banda sobre um caminhão. A banda vai tocando conforme o caminhão anda em primeira marcha e o povo o segue, caminhando, pulando, dançando, em êxtase. Ao fim do trajeto de um trio (e também de seu show) basta passar a seguir outro trio e repetir o mesmo ritual de caminhar, pular e dançar em êxtase. Tem como ser mais dionisíaco do que isso?</p>
<p></p>
<p align="justify">Mas, por que o nome <b>trio elétrico</b>? </p>
<p></p>
<p align="justify">O trio elétrico nasce quando o bloco Carnavalesco Misto Vassourinhas, do Recife, é convidado para fazer um show no Rio de Janeiro no começo da década de 50. Como a viagem era longa, acabaram fazendo uma escala em Salvador, na Bahia. Como já estavam lá mesmo, foram convidados para fazer uma apresentação e concordaram. Porém, durante a, até então, bem-sucedida apresentação, um pequeno incidente acabou tirando do palco parte da banda. Vendo o cancelamento do show do bloco do Recife e a frustração do povo, Antônio Adolfo Nascimento e Osmar Alvares Mâcedo, dois estudantes de música eletrônica, resolveram colocar em prática seus malucos experimentos. Ligando um violão a bateria de um Ford criaram um princípio de guitarra elétrica, o que permitia que a dupla, Dodô e Osmar fizesse o barulho de uma banda inteira, e entrasse para a história como os míticos criadores do trio elétrico.</p>
<p></p>
<p align="justify">Porém, Dodô e Osmar eram apenas uma dupla. Somente, no ano seguinte, com a incorporação de mais um músico, Dodô e Osmar puderam ser chamados de trio elétrico. Esse trio fez tanto sucesso que o nome passou a designar todas as bandas elétricas que tocavam de modo semelhante (em cima de veículos) fossem elas quartetos, quintetos ou sextetos. Essa se tornou a forma de carnaval predominante na Bahia e o principal concorrente do carnaval do carioca.</p>
<p></p>
<p align="justify">Infelizmente, o carnaval baiano ao crescer como o carioca deixou de ser-lhe uma contraparte. Embora, ainda seja muito mais uma festa do que uma expressão artística, deixou há algum tempo (já quando eu assim o defendi em território italiano) de ser a maior festa popular do planeta.  Abadás vendidos a preços de trajes de gala uniformizam e selecionam seus participantes, enquanto o povo é barrado por cordas nas calçadas, quando não muito antes de chegar as mesmas.<br />
Se perguntado novamente pelos gringos: <i>“E vai todo mundo?”</i>; dessa vez, responderia <i>“Só não vai quem não pagou!”</i>.</p>
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		<title>We are Carnaval!</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Feb 2012 18:42:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Teixeira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Minha experiência fazendo um curso de italiano em uma escola para estrangeiros em Salerno foi uma das mais enriquecedoras de minha vida. Salerno é uma cidade praiana do sul da Itália e&#8230; bem, eu fui para lá no inverno. Digamos, então, que nem a cidade, nem a escola estavam em seu auge, ou melhor, estavam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Minha experiência fazendo um curso de italiano em uma escola para estrangeiros em Salerno foi uma das mais enriquecedoras de minha vida. Salerno é uma cidade praiana do sul da Itália e&#8230; bem, eu fui para lá no inverno. Digamos, então, que nem a cidade, nem a escola estavam em seu auge, ou melhor, estavam nem ao menos mediamente ocupadas. Em resumo: éramos um grupo pequeno de alunos. Pequeno, porém, unido. Todos os dias depois das aulas, a maior parte de nós que – que eu denominava mentalmente como “a turma do balacobaco” (aliás, essa palavra precisa ser assunto de um post) e traduzia pra eles na forma sem graça de “Non-stop Party People” – saía pelas ruas atrás de uma festa &#8211; que quase nunca achávamos (cidade praiana, inverno) &#8211; ou de um bar &#8211; que quase sempre achávamos, mas éramos os únicos frequentadores – eh, baixa temporada tem seus problemas.</p>
<p></p>
<p align="justify">Tentando voltar ao tema, então, como havia dito anteriormente, éramos um grupo pequeno do qual, eu, para o bem, ou para o mal, era o único brasileiro. Para o mal para eles já que eu não sou um bom exemplar da minha nacionalidade: não sei sambar e minha ironia e sarcasmo superam de longe o meu otimismo e “solaridade” (como uma das professoras salernitanas gostava de descrever a alegria de meu povo, que eu tão pouco demonstrava&#8230;)que tanto se espera de meu povo. Como esse é um blog de linguagem e cultura, essa minha experiência de passar trinta dias entornando garrafas de vinho ao lado de gringos (e estudando também) será, inevitavelmente, citada outras vezes e terei tempo de contar todas as histórias desse baú. Então, vou me esforçar um pouco mais para voltar ao tema.</p>
<p></p>
<p align="justify">Como único brasileiro, vira e mexe, eu precisava responder as mesmas perguntas:<i>“Não, eu nunca fui a Amazônia. Na verdade, é bem longe da minha casa. É como uma viagem de Nova York a Los Angeles”; “Não, eu nunca fui na cidade em formato de avião; Não, não sei driblar, só sei jogar no gol!; “Também achava que as mulheres brasileiras eram as mais bonitas do mundo, até conhecer você&#8230;</i>”</p>
<p></p>
<p align="justify">Porém, o tema da maioria das perguntas era o Carnaval: “como é o carnaval?” Se bem, que, com todas as diferenças culturais, eu precisava responder “O que é o carnaval?, já que aqui parece ser uma coisa completamente diferente do restante do universo.</p>
<p> </p>
<p align="justify">A primeira coisa, era explicar, no meu irritante e onipresente tom professoral, que o Carnaval, em princípio, é um feriado como outro qualquer. Na verdade, um megaferiado que se estende do sábado até o meio-dia da quarta-feira de cinzas. <i>“Four days, man!!”</i> Exclamava incrédulo um dos gringos. Isso, a menos que você trabalhe em um serviço que não possa parar (produção em turnos, hospitais, postos de gasolina, policiamento, etc) você tem quatro dias de feriado. Enquanto, secretamente ele calculava o prejuízo de tal paralização e atribuía a ela nosso subdesenvolvimento, eu continuava minha explicação dizendo que como em qualquer feriado você poderia fazer o que quisesse: almoçar com a família, viajar com a esposa, rever os amigos e até dormir de sexta à noite até o meio-dia de quarta (prática mais comum do que parece, que recebe o nome de “pular o carnaval”).</p>
<p></p>
<p align="justify">Meu segundo movimento explicativo era dizer que eu não saía nas escolas do Rio de Janeiro vestido com roupas estilo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cl%C3%B3vis_Bornay">Clóvis Bornay</a>. Primeiro, porque eu não gosto nem de pumas e nem de paetês. Em segundo lugar, porque o Rio de Janeiro fica longe da minha casa e a tradição das escolas de samba é algo muito local. E por último, porque sair em escola de samba era só para quem era membro daquela comunidade (e tinha ensaiado o ano todo) ou para quem pagasse muito pela vaga (infelizmente, cada dia mais, existem mais dos segundos e menos dos primeiros). Explicava, por fim, que esse Carnaval do Rio de Janeiro (apesar de esplendorosamente belo) estava mais para a Broadway ou o Circo de Soleil do que para a <i>&#8220;maior festa popular do planeta&#8221;</i>. Enfim, era um carnaval profissional e eu preferia um carnaval mais amador do qual todos pudessem tomar parte.</p>
<p></p>
<p align="justify"><i>“Ora, mas o que então representaria um carnaval amador? Onde todos podem dançar, assim, vestidos como nós?”</i> Continuavam os curiosos gringos.</p>
<p></p>
<p align="justify">Bom, vestidos como nós, não, porque não dá pra dançar com esses casacos, mas eu acho que o trio elétrico (picaretamente traduzido por  mim, no momento, como <b>“electric trio”</b>) expressa bem essa ideia. Foi só aí que eu me dei conta que, da mesma forma que eles não sabiam a distância entre São Paulo e Amazônia, que não sabiam que as escolas do Rio de Janeiro não eram no sistema “vai quem quer”, também, não faziam a menor ideia do que era um trio elétrico.</p>
<p></p>
<p align="justify">Ali, sem tempo, sem blog e com muitos goles de álcool na cabeça, só me restou fornecer uma explicação tosca: <i>“pega um caminhão, coloca uma banda em cima. Ela vai tocando o caminhão vai andando e o povo vai atrás”.</i> <i>“E vai todo mundo?”</i> <i>“Só não vai quem já morreu”.</i></p>
<p> </p>
<p align="justify">Porém, agora eu tenho tempo e um blog e poderei usar o próximo artigo para explicar melhor o que é um trio elétrico, de onde veio esse nome e porque talvez ele não seja mais tão “vai quem quer” como eu imaginava na época. </p>
<p></p>
<p align="justify"> Mas, isso fica para o próximo post. Antes ou depois do carnaval. Porque se for durante, eu terei o tempo, terei o blog, mas acabarei tendo álcool na cabeça&#8230;</p>
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