Iídiche: A Língua dos Judeus e Que Tem Cara de Alemão

O artigo de hoje surge após nessa quarentena assistir uma nova série da Netflix, (na verdade uma mini-série de quatro episodios) que se chama Nada Ortodoxa (em inglês: unorthodox) e que é parcialmente falada em uma língua que se chama iídiche.

Enredo:

Por mais de um ano a protagonista, Esther, lida com os rituais de encontro e como é se casar com um judeu chassídico da sua com comunidade judaica em Williamsburg – Nova York.

Esther pensou que não seria ruim casar-se seguindo os rituais religiosos extremamente ortodoxos e que poderia ser fácil levar a vida assim e talvez até feliz já que ela nunca teve um relacionamento real com sua mãe e seu pai ser alcoólatra. Isso significaria para ela conseguir criar sua própria família.

 

Imagem: Wikipedia

 

No entanto, poucas semanas depois do casamento, ela descobre que seu agora marido, Yanky, é filho de uma mãe “intrometida” e que faz as coisas ficam cada vez mais difíceis na sua vida até que ela percebe que que cometeu um erro ao casar-se,  e toma a drástica decisão de fugir para Berlim na Alemanha, lugar que sua mãe supostamente vive desde que a abandonou.

 

Trailer:

 

Crítica: 

 

O que me chamou a atenção foi a língua que falavam, o iídiche, uma língua que “soa” como alemão, porém é um idioma derivado dele e que tem muitas particularidades. Vamos conhecer um pouco mais?

 

O iídiche

 

A história do iídiche é a história das comunidades judaicas asquenazes, aquelas que se estabeleceram na Europa central durante os séculos que se seguiram à fuga dos judeus da terra de Israel e que, durante o final da Idade Média, avançaram progressivamente para o leste europeu.

Nessas comunidades, a vida era bilíngue. O hebraico ocupava um lugar de prestígio e superioridade espiritual: era a língua dos antigos israelitas e dos textos sagrados, e era nessa língua que os judeus realizavam atividades sagradas.

Por outro lado, a linguagem da vida cotidiana e a escrita profana eram uma língua germânica que os judeus haviam adotado ao longo dos séculos da vida européia; uma língua bastante próxima em seu vocabulário do alemão moderno, mas com estruturas diferentes e com inúmeras palavras preservadas do hebraico e outras retiradas das línguas eslavas que dominavam na Europa Oriental, como o polonês e o russo. Essa linguagem eclética e dinâmica, resultante da fusão e combinação de todos esses elementos díspares formaram o que hoje é o iídiche.

 

Escute a famosa música de Leonard Cohen, Hallelujah, em iídiche.

 

Ao longo dos anos, a cultura da língua iídiche começou a ganhar força, especialmente após a introdução da imprensa hebraica na Europa Oriental no século XVI.

Ensaios, livros de histórias e tratados históricos em iídiche começaram a ser impressos em caracteres hebraicos em toda a zona cultural ashkenazi entre a Holanda e a Ucrânia.

O surgimento de movimentos religiosos ortodoxos hassídicos no século XVIII, que começaram a atribuir valor sagrado aos textos escritos em iídiche, contribuiu para aumentar o prestígio da língua. Em vez disso, o advento de Haskalah, o movimento de judeus esclarecidos liderados por figuras como Moses Mendelssohn, repudiou essa ascensão do iídiche: para os intelectuais mais seculares da época, os judeus tiveram que abandonar aquela linguagem estranha e eclética, considerada dificilmente é um jargão e, em vez disso, adota o alemão ou o russo como idioma social, político e cultural, preservando o hebraico no mundo sagrado.

 

O segmento caligráfico no Worms Mahzor. O texto em iídiche está em vermelho – Imagem: Wikipedia

 

Porém esse projeto falhou e  por volta do final do século 19, a esmagadora maioria dos judeus, especialmente nas margens ocidentais do Império Russo, onde constituíam uma população de mais de cinco milhões de pessoas, continuaram a reconhecer o iídiche como língua materna sabiam apenas algumas palavras em russo.

Foi o sinal de uma falta de integração na vida russa que não pôde ser explicada em menor grau pelo anti-semitismo insistente na região e pelas inúmeras restrições legais que o império Romanov mantinha contra os judeus.

Assim, a partir do final do século XIX, inspiradas em um imaginário menos racionalista e mais romântico, novas gerações de intelectuais e ativistas começaram a promover o uso do iídiche na imprensa, na literatura, no teatro e na cultura geral.

 

Cartaz da Primeira Guerra Mundial em iídiche. Legenda traduzida: “A comida vencerá a guerra – Você veio aqui em busca da liberdade, agora precisa ajudar a preservá-la – Temos que fornecer trigo aos Aliados – Não deixe que nada seja desperdiçado”. Litografia em cores, 1917 Imagem: Wikipedia

 

Nos dias atuais estima-se que entre 1 e 3 milhões de judeus falam o idioma sendo que a maioria deles vivem nos Estados Unidos. Os outros falantes estão em comunidades na Antuérpia (Bélgica), em Londres na Inglaterra, Argentina e claramente em Israel.

 

Se você já sabe alemão e quer saber se conseguiria entender ou até mesmo falar o idioma, vejam essas respostas de um fórum chamado Reddit para a pergunta:

“Quão mutuamente inteligíveis são o alemão e o iídiche?”

 

wittyusername903

Eu nunca ouvi iídiche antes, e fiquei incrivelmente surpreso agora, porque era quase completamente compreensível! Para mim, parecia um dialeto, como bávaro ou suábio muito amplo, ou como alemão suíço. Definitivamente mais compreensível que o holandês.

 

VERTIKAL19

Eu posso entender a maior parte do que é falado. É preciso mais foco do que o normal, mas é compreensível. Se alguém tivesse me dito que era um dialeto alemão eu teria acreditado.

 

CrossMountain

 

É como holandês e alemão, por exemplo. Você pode ouvir que é um idioma diferente, mas compartilhamos muitas palavras para que seja compreensível.

 

Bônus:

Caso queira ir um pouco mais fundo nas semelhanças entre o hebraico e o iídiche, recomendamos esse vídeo do canal Langfocus com legendas em português (devem ser ativadas dentro do vídeo).

 

 

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