{"id":118,"date":"2011-09-19T22:35:04","date_gmt":"2011-09-20T01:35:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.languagetrainers.com.br\/blog\/?p=118"},"modified":"2014-04-16T12:36:35","modified_gmt":"2014-04-16T15:36:35","slug":"companheiros-e-companheiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/companheiros-e-companheiras\/","title":{"rendered":"Companheiros e Companheiras"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1454\" alt=\"img_logo_br\" src=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\" width=\"286\" height=\"135\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">Embora Giorgio Gaber <a href=\"http:\/\/www.languagetrainers.com.br\/blog\/?p=107\">n\u00e3o tenha dito<\/a>, no fundo o discurso sempre foi mais de esquerda. E a esquerda, por sua vez, sempre foi mais de discurso (reza a lenda que os discursos de Fidel Castro chegavam a 12 horas de dura\u00e7\u00e3o, se ele n\u00e3o estivesse muito inspirado, \u00e9 claro). N\u00e3o se sabe se isso se deve ao fato de a esquerda ter ficado menos tempo no poder ou se ao fato de que quando assume o poder a esquerda migra para a direita.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Independente do motivo, mais discurso significa mais jarg\u00e3o. Por isso, dividirei o jarg\u00e3o entre <b>de Esquerda Tradicional<\/b> e <b>de Esquerda Moderninha<\/b>. Divis\u00e3o, essa feita apenas pelo &#8220;falante m\u00e9dio&#8221; do jarg\u00e3o, sem nenhuma base ou fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, nem em Marx, nem na Escola de Frankfurt, nem no PSTU&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Come\u00e7arei, ent\u00e3o, com base no princ\u00edpio do atendimento preferencial, com a Esquerda Tradicional.<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Companheiro<\/b>: Somos todos iguais (l\u00f3gico, que uns s\u00e3o mais iguais que os outros), ent\u00e3o \u00e9 preciso de um nome que deixe claro essa igualdade. A revolu\u00e7\u00e3o francesa teve o <b>cidad\u00e3o<\/b> e a futura revolu\u00e7\u00e3o socialista precisava de um termo pr\u00f3prio. Nos filmes do James Bond os russos se chamavam de <b>camaradas<\/b>, que no Brasil nem sempre tem uma boa conota\u00e7\u00e3o (um policial <b>camarada<\/b> \u00e9 aquele que aceita suborno, um funcion\u00e1rio <b>camarada<\/b> \u00e9 aquele que nos passa na frente na fila e um fantasminha <b>camarada<\/b> \u00e9 aquele que n\u00e3o tem amigos&#8230;). Ent\u00e3o, escolheu-se o termo <b>companheiro<\/b>. O problema \u00e9 que com o avan\u00e7o dos direitos dos homossexuais (e consequentemente a forma\u00e7\u00e3o de mais casais homossexuais), esses passaram a usar o termo <b>companheiro<\/b> para se referir a seus consortes. Os mais antigos ignoram o problema de cunho lingu\u00edstico e continuam usando o termo sem temer ambiguidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Pelego<\/b>: Pelego \u00e9 uma pele de animal usada entre a sela e a montaria com a fun\u00e7\u00e3o de impedir que primeira fira o dorso da \u00faltima. Em uma figura de linguagem, o trabalhador que fica sempre do lado do patr\u00e3o e, inclusive, caso seja mais corajoso, fale em nome do patr\u00e3o para seus companheiros, recebe tal designa\u00e7\u00e3o. Afinal, o pelego fica entre quem monta e quem \u00e9 montado (mas, ainda assim, \u00e9 montado). Apesar da excelente figura de linguagem est\u00e1 caindo em desuso na esquerda. Com a crescente urbaniza\u00e7\u00e3o do Brasil, as pessoas n\u00e3o sabem mais o que \u00e9 um pelego&#8230; assim se perde a imagem e o sentido do voc\u00e1bulo&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Alienado<\/b>: Ofensa m\u00e1xima entre os marxistas tradicionais e estudantes universit\u00e1rios engajados em movimentos progressistas. O sentido acabou sendo ampliado para fora do contexto do oper\u00e1rio e da divis\u00e3o do trabalho industrial. Alienado passou a ser aquele que n\u00e3o se interessa por quest\u00f5es pol\u00edticas ou progressistas. \u00c0s vezes, \u00e9 ainda mais ampliado e usado para denotar todo aquele que l\u00ea apenas a imprensa burguesa ou consome obras de arte burguesas (ou seja, l\u00ea a revista VEJA e assiste a TV Globo). Por\u00e9m, fora desses ciclos o termo perde seu sentido, uma vez que alien\u00edgena (originalmente, aquilo que \u00e9 estranho, estrangeiro), \u00e9 muito mais usado como sin\u00f4nimo de extraterrestre, culpa de Ridley Scott (mais uma vez, o cinema falado \u00e9 <a href=\"http:\/\/www.languagetrainers.com.br\/blog\/?p=88\">culpado da transforma\u00e7\u00e3o<\/a>. Logo, ao chamar algu\u00e9m de alienado, fora dos c\u00edrculos marxistas tradicionais, corre-se o risco de que se entenda: <i>\u201cinfectado pela larva de um Alien\u201d.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Patronal<\/b>: Ningu\u00e9m usa o adjetivo patronal (relativo ao chefe, ao patr\u00e3o). A menos que seja um sindicalista das antigas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Burgu\u00eas\/Burguesia<\/b>: O termo de maior sucesso dos esquerdistas. Principalmente, quando dito com desprezo. O problema \u00e9 que muda de sentido a cada c\u00edrculo social\/profissional (embora, sempre carregue algum desprezo). Nas artes significa uma obra clich\u00ea e sem criatividade, na imprensa denota a falta de compromisso com a \u00e9tica jornalista e a manipula\u00e7\u00e3o das massas, em indiv\u00edduos \u00e9 sin\u00f4nimo de futilidade. Enfim, pode ser utilizado tanto como adjetivo quanto como substantivo para definir (ou qualificar) qualquer pessoa (ou institui\u00e7\u00e3o) que priorize o dinheiro a qualquer outro princ\u00edpio (em teoria) mais importante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Proletariado\/Classe Oper\u00e1ria<\/b>: Somente um esquerdista tradicional usaria esses termos no lugar de <b>trabalhador<\/b> ou <b>gente trabalhadora<\/b>. Simplesmente porque esses termos perderam for\u00e7a com as mudan\u00e7as no mundo do emprego. Com a evolu\u00e7\u00e3o do setor terci\u00e1rio (que passou a empregar a maior parte da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa) <b>oper\u00e1rio<\/b> deixou de ser sin\u00f4nimo de <b>trabalhador<\/b>. E com as novas pol\u00edticas salarias e de recursos humanos, o <b>proletariado<\/b> tem mais do que a prole: tem televis\u00e3o, carro, moto e d\u00edvidas. Mais extremo ainda, com as mudan\u00e7as nas taxas de natalidade, em alguns casos o <b>prolet\u00e1rio<\/b> n\u00e3o tem prole!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">O vocabul\u00e1rio de esquerda, \u00e9 claro, n\u00e3o se esgota por aqui. Esses termos servem apenas para reconhecer os \u201ccompanheiros\u201d velhos de guerra que conhecem a letra e a melodia original da Internacional Comunista. Para reconhecer aqueles que s\u00f3 cantaram a vers\u00e3o Punk dos <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Garotos_Podres\">Garotos Podres<\/a>, que baixaram da Internet, precisaremos de uma lista atualizada, que ser\u00e1 apresentada no pr\u00f3ximo post.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Embora Giorgio Gaber n\u00e3o tenha dito, no fundo o discurso sempre foi mais de esquerda. 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