{"id":157,"date":"2011-12-16T10:06:00","date_gmt":"2011-12-16T13:06:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2014-09-08T08:41:02","modified_gmt":"2014-09-08T11:41:02","slug":"ou-o-novo-peso-da-arroba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/ou-o-novo-peso-da-arroba\/","title":{"rendered":"@ (ou: o novo peso da arroba)"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1454\" src=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\" alt=\"img_logo_br\" width=\"286\" height=\"135\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: blue; font-size: medium;\"> Parte 2: A, E, I, O, U, @<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">Como dito no texto anterior, a arroba (@), antes exclusivamente utilizada como unidade de medida rural, passou a ser quase t\u00e3o utilizada quanto as letras no e-mail e no twitter. Por\u00e9m, muitas pessoas desejam torn\u00e1-la ainda mais utilizada, desejam torna-la literalmente uma letra. Essas pessoas sugerem que a arroba seja transformada em uma vogal. Contudo, porque a l\u00edngua portuguesa (e a espanhola) precisaria de uma sexta vogal?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Tal necessidade se daria porque nossa l\u00edngua seria machista. Como n\u00e3o existe o g\u00eanero neutro na gram\u00e1tica portuguesa, sempre que se faz refer\u00eancia a um grupo de g\u00eanero misto deve-se usar o g\u00eanero masculino. Independente de sua composi\u00e7\u00e3o. Logo, mesmo que uma turma de escola seja formada por 30 meninas e 2 meninos, deve-se referir a tal grupo como \u201calunos\u201d. Segundo os defensores dessa ideia, tal regra seria a express\u00e3o dos anos de dom\u00ednio do patriarcado. Mais do que uma express\u00e3o do machismo, a regra gramatical em quest\u00e3o ajudaria a difundir uma suposta superioridade do g\u00eanero masculino em rela\u00e7\u00e3o ao feminino, do homem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Segundo tal pensamento a resolu\u00e7\u00e3o desse problema estaria em grafar palavras com uma vogal neutra (@). Assim, ficariam reservados o \u201ca\u201d para o feminino, o \u201co\u201d para o masculino e a \u201c@\u201d para o neutro. Logo, um comunicado para os estudantes da UFLA seria iniciado assim:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cPrezad@s Companheir@s do FGEI\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Tal corrente est\u00e1 mais difundida do que parece (especialmente em meios ligados ao movimento feminista). Seus partid\u00e1rios j\u00e1 possuem at\u00e9 uma <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Open-mid_back_rounded_vowel\">pron\u00fancia<\/a> determinada para tal vogal e, possuem at\u00e9 (pasmem!) opositores dentro do pr\u00f3prio movimento feminista que consideram a arroba (@) machista, j\u00e1 que a letra \u201ca\u201d seria emoldurada por um \u201co\u201d. Dando a ideia de que o feminino seria moldado pelo masculino (e, logo, as mulheres moldadas pelo patriarcado).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">A necessidade de uma sexta vogal parece estar fundamentada em uma identifica\u00e7\u00e3o entre g\u00eanero lingu\u00edstico e g\u00eanero extralingu\u00edstico (n\u00e3o se trata aqui de discutir se o conceito de g\u00eanero se aplica a um construto sociocultural ou a um fato biol\u00f3gico. O argumento continua v\u00e1lido independentemente da concep\u00e7\u00e3o adotada). Por\u00e9m, tal identifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o se d\u00e1 de forma necess\u00e1ria. Uma s\u00e9rie de palavras femininas (a v\u00edtima, a testemunha, a crian\u00e7a, etc) podem ser usadas para denotar seres humanos do sexo masculino. Al\u00e9m disso, se o \u201cg\u00eanero neutro\u201d parece ser a solu\u00e7\u00e3o, porque os mesmos grupos lutam tanto em criar vers\u00f5es \u201cfemininas\u201d de palavras que podem ser usadas para denotar pessoas de ambos os sexos (presidente, estudante, etc).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Al\u00e9m disso, tal proposta tamb\u00e9m d\u00e1 como necess\u00e1ria a identifica\u00e7\u00e3o da vogal \u201ca\u201d com o feminino e da vogal \u201co\u201d com o masculino. Por\u00e9m, mais uma vez, n\u00e3o se pode dizer que tal identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 existente. Pois, uma s\u00e9rie de palavras terminadas em \u201ca\u201d pertencem ao g\u00eanero (lingu\u00edstico) masculino (o dentista, o sof\u00e1, etc) e v\u00e1rias palavras de g\u00eanero feminino s\u00e3o terminadas em \u201co\u201d (todas as palavras terminadas em \u201c\u00e3o\u201d, por exemplo). N\u00e3o existe, portanto, nenhum valor intr\u00ednseco que determine a masculinidade da letra \u201co\u201d ou a feminilidade da letra \u201ca\u201d. Se tal identifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe nem na rela\u00e7\u00e3o \u201ctermina\u00e7\u00e3o-g\u00eanero lingu\u00edstico\u201d que dir\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o \u201ctermina\u00e7\u00e3o-g\u00eanero extralingu\u00edstico\u201d (ali\u00e1s, se assim fosse, n\u00e3o seria a melhor vogal para designar o g\u00eanero masculino o \u201ci?\u201d).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Mais um exagero de tal corrente \u00e9 evidenciado em sua vis\u00e3o da sua rela\u00e7\u00e3o \u201csociedade \u2013 linguagem\u201d. \u00c9 claro que a sociedade influencia a linguagem (\u00e9 quem n\u00e3o s\u00f3 fala, como cria, a linguagem, afinal) e vice-versa. Mas, de forma alguma, essa rela\u00e7\u00e3o se d\u00e1 de forma causal como defendem. Ou seja, a mulher n\u00e3o \u00e9 oprimida pelo fato do g\u00eanero masculino ser linguisticamente predominante no portugu\u00eas (ou n\u00e3o haveria machismo em pa\u00edses que falam l\u00ednguas onde existe o g\u00eanero neutro \u2013 Alemanha \u2013 ou n\u00e3o existe g\u00eanero \u2013 EUA). E nem a transforma\u00e7\u00e3o da gram\u00e1tica resulta em benef\u00edcio direto para a igualdade de g\u00eaneros, ou, n\u00e3o haveria machismo na It\u00e1lia onde o pronome da terceira pessoa do feminino, \u201clei\u201d, \u00e9 id\u00eantico ao pronome de tratamento formal \u201cLei\u201d. (ali\u00e1s, Mussolini tentou mudar essa forma pronominal alegando que diminu\u00eda a masculinidade do homem italiano&#8230;).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Sim, as mulheres conquistaram muito nos \u00faltimos tempos gra\u00e7as ao movimento feminista. Sim, ainda h\u00e1 muito que fazer. S\u00f3 para se ter uma ideia do quanto \u00e9 preciso avan\u00e7ar, no Brasil, por exemplo, a cada cinco minutos duas mulheres s\u00e3o agredidas por seus c\u00f4njuges ou companheiros. Essa situa\u00e7\u00e3o precisa mudar. Por\u00e9m, n\u00e3o ser\u00e1 uma arroba a faz\u00ea-lo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Parte 2: A, E, I, O, U, @ Como dito no texto anterior, a arroba (@), antes&#8230;","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[],"class_list":["post-157","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-aprendizagem"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=157"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1905,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157\/revisions\/1905"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=157"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=157"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=157"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}