{"id":183,"date":"2012-01-16T11:02:11","date_gmt":"2012-01-16T14:02:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.languagetrainers.com.br\/blog\/?p=183"},"modified":"2014-04-16T12:22:53","modified_gmt":"2014-04-16T15:22:53","slug":"ai-se-eu-te-pego-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/ai-se-eu-te-pego-2\/","title":{"rendered":"Ai se eu te pego"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1454\" alt=\"img_logo_br\" src=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\" width=\"286\" height=\"135\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">Parte 2: &#8230;. de novo&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">A seguir os cinco motivos pelos quais o hit \u201cAi se eu te pego\u201d tende a n\u00e3o ser usado para o ensino da l\u00edngua portuguesa \u2013 mesmo com a crescente popularidade mundial de ambos. Caso n\u00e3o tenha lido a primeira parte deste artigo, <a href=\"http:\/\/www.languagetrainers.com.br\/blog\/?p=179\">clique aqui<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>1-) Confus\u00e3o pronominal:<\/b> Assim voc\u00ea me mata\/ Ah se eu te pego&#8230; <i>\u201cVoc\u00ea\u201d<\/i> \u00e9 um pronome de tratamento equivalente a terceira pessoa. <i>\u201cTe\u201d<\/i> por sua vez \u00e9 o pronome do caso obl\u00edquo da segunda pessoa. Sim, est\u00e1 errado. A forma correta seria: <i>Assim voc\u00ea me mata\/ Ah se a pego&#8230;<\/i> ou <i>Assim tu me matas \/ Ah se eu te pego<\/i>. Claro, no portugu\u00eas falado, n\u00f3s, brasileiros (que segundo Pina, minha professora de italiano, fazemos uma bagun\u00e7a com os pronomes) fazemos isso o tempo todo. Naturalmente (principalmente, aqui pelas bandas de Sampa&#8230;). Por\u00e9m, como diz aquele velho axioma pedag\u00f3gico: fale como eu ensino, n\u00e3o como eu falo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>2-) Balada? Que isso?:<\/b> Como sempre respondem os f\u00e3s quando questionados a respeito da qualidade po\u00e9tica da can\u00e7\u00e3o de Tel\u00f3, a can\u00e7\u00e3o \u00e9 para dan\u00e7ar, curtir, enfim, ouvir na balada (como a pr\u00f3pria letra deixa claro: <i>\u201cS\u00e1bado na balada&#8230;\u201d<\/i>). Infelizmente, n\u00e3o pega bem para professores admitir que possui uma vida noturna. \u201cAh! Nada a ver\u201d, espernear\u00e3o alunos mais maduros, moderninhos ou compreensivos. Por\u00e9m, nem todos s\u00e3o como voc\u00eas. Quando eu ministrava aulas em uma escola estadual, apareci uma vez em uma foto de canto em um jornal que divulga baladas aqui em minha cidade (sempre as mesmas, porque a cidade \u00e9 pequena, ent\u00e3o, n\u00e3o existem tantas baladas assim) e ouvi durante tr\u00eas meses ou mais coment\u00e1rios do tipo: <i>\u201cA\u00ed, professor baladeiro!\u201d; \u201cS\u00f3 no agito, hein profi?\u201d<\/i>. Depois desses eventos, evitei a cobertura de festas locais a todo o custo e n\u00e3o admitia sair de casa depois das dezoito horas nem na presen\u00e7a do meu advogado!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>3-) Ai caso a pegasse<\/b>: O subjuntivo \u00e9 de longe o modo verbal mais complexo da l\u00edngua portuguesa. Tanto que a maioria dos brasileiros n\u00e3o o utiliza normalmente (e nem sabe utiliz\u00e1-lo), imagine, ent\u00e3o, as dificuldades para um estrangeiro. Para virar hit tamb\u00e9m nas paradas did\u00e1ticas o refr\u00e3o bem que poderia conter um subjuntivo, assim quem sabe esse colaria com a mesma facilidade da can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>4-) Interjei\u00e7\u00e3o:<\/b> O colante refr\u00e3o pode n\u00e3o ter o modo subjuntivo, mas tem uma interjei\u00e7\u00e3o. Mas, h\u00e1 de se convir que interjei\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o o conte\u00fado mais interessante a se tratar em um curso de l\u00ednguas. <i>\u201cOh, o que quer dizer \u201cAi\u201d?; \u201cAh&#8230; \u00e9&#8230;. ah!\u201d; \u201cAh, entendi!\u201d.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>5-) Press\u00e3o dos pares<\/b>: N\u00e3o \u00e9 bem visto pelos companheiros de classe. Mesmo com todos os conceitos revolucion\u00e1rios pedag\u00f3gicos, t\u00e9cnicas neolingu\u00edsticas e outros, a doc\u00eancia pressup\u00f5e uma certa hierarquia intelectual (pelo menos, no que se refere ao assunto ensinado), logo, todo ensino \u00e9, de certa forma, culturalmente elitista. N\u00e3o \u00e9 de se espantar que isso \u201cvaze\u201d para o conv\u00edvio social dos professores com seus pares, que n\u00e3o tender\u00e3o a ver com bons olhos quando um companheiro de classe (no sentido de profiss\u00e3o e n\u00e3o de turma escolar) que use uma m\u00fasica de balada, do populacho, de aculturados, como um recurso pedag\u00f3gico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Diante de todos esses motivos, pelo jeito, os novos professores de L\u00edngua Portuguesa v\u00e3o ter que continuar a utilizar como recursos did\u00e1ticos as mesmas can\u00e7\u00f5es chatas de sempre&#8230; de Noel Rosa, de Caetano Veloso, de Chico Buarque&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Parte 2: &#8230;. de novo&#8230; &nbsp; A seguir os cinco motivos pelos quais o hit \u201cAi se&#8230;","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22,14],"tags":[],"class_list":["post-183","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-idiomas","category-musica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=183"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1616,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183\/revisions\/1616"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=183"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=183"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=183"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}