{"id":194,"date":"2012-03-08T21:57:33","date_gmt":"2012-03-09T00:57:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/?p=194"},"modified":"2014-04-16T12:08:29","modified_gmt":"2014-04-16T15:08:29","slug":"quarta-feira-de-cinzas-e-ta-tudo-acabado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/quarta-feira-de-cinzas-e-ta-tudo-acabado\/","title":{"rendered":"Quarta-feira de cinzas&#8230; e t\u00e1 tudo acabado."},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1454\" alt=\"img_logo_br\" src=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\" width=\"286\" height=\"135\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\"><i>\u201cPor que esse nome, m\u00e3e, quarta-feira de cinzas?\u201d<br \/>\n\u201cPorque depois de todos esses dias cantando, dan\u00e7ando e pulando, s\u00f3 o que resta desse pessoal s\u00e3o as cinzas\u201d.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Talvez n\u00e3o tenha acontecido exatamente assim. Muito provavelmente n\u00e3o aconteceu exatamente assim. Mas em algum momento de minha inf\u00e2ncia, um di\u00e1logo bem semelhante ao acima foi travado por mim e por minha m\u00e3e. Muito provavelmente essa tamb\u00e9m foi minha primeira d\u00favida sem\u00e2ntica e etimol\u00f3gica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">D\u00favida essa que minha m\u00e3e resolveu responder com uma f\u00e1bula. Nessa \u00e9poca, \u00e9 claro, ela ainda n\u00e3o poderia saber o quanto eu me interessaria por sem\u00e2ntica e por f\u00e1bulas. Nessa \u00e9poca, ali\u00e1s, eu mal sabia como era o carnaval de verdade e imaginava-o como algo muito semelhante a um baile de m\u00e1scaras, com confetes e serpentinas para todos os lados; algo que, j\u00e1 naquela \u00e9poca, n\u00e3o passava de uma f\u00e1bula.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Hoje, contudo, duvido que minha m\u00e3e realmente tenha acreditado na resposta fabulosa que me dera. Afinal, sempre fora, e ainda \u00e9, mais do que nunca, cat\u00f3lica fervorosa. Sempre ia (e ainda vai) \u00e0s missas nas fat\u00eddicas quartas. N\u00e3o perdia (e ainda n\u00e3o perde) uma missa de cinzas. Ent\u00e3o, porque fornecer essa explica\u00e7\u00e3o fabulosa? Para cessar as perguntas? Prefiro acreditar que n\u00e3o. Para manter vivo o esp\u00edrito da fantasia no cora\u00e7\u00e3o do menino? Tamb\u00e9m duvido. Fabulas nunca combinaram muito com minha m\u00e3e, uma descendente de imigrantes do sul da It\u00e1lia criada no ambiente rural. Acostumada desde cedo ao trabalho \u00e9 uma mulher pr\u00e1tica. Mais do que isso, ensinada desde cedo a valorizar o trabalho \u00e9 uma mulher pragm\u00e1tica. Nunca fora dada nem ao menor dos escapismos. Ent\u00e3o, por que responder a pergunta com uma esp\u00e9cie de etimologia lend\u00e1ria, fabulosa? Simples, por uma pequena ironia. Uma pequena, sutil e inocente ironia que eu, ali, menino, n\u00e3o fui capaz de entender, reconhecer ou apreciar. Mal sabia ela, contudo, o quanto eu viria a entender, reconhecer e apreciar as ironias e, mais do que isso, a pratica-las com uma frequ\u00eancia e sofistica\u00e7\u00e3o que ela jamais sonhara.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Hoje, adulto, mergulhado na era da informa\u00e7\u00e3o, aceitar tal explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel. Nem justific\u00e1vel. Ent\u00e3o, refa\u00e7o, dessa vez para mim mesmo, a pergunta: <i>por que esse nome: quarta-feira de cinzas?<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">A origem \u00e9 religiosa. Mais especificamente, cat\u00f3lica. A quarta-feira de cinzas marca o in\u00edcio da quaresma. Um tempo de prova\u00e7\u00e3o, de jejum e de austeridade. As cinzas s\u00e3o oferecidas aos fi\u00e9is como um lembrete (<i>do p\u00f3 viestes, ao p\u00f3 voltar\u00e1s<\/i>) de que a vida \u00e9 ef\u00eamera e passageira, sempre sujeita a morte. Um lembrete para que o fiel aceite esse car\u00e1ter transit\u00f3rio da vida mundana e se concentre na \u00fanica coisa realmente verdadeira: Deus e a vida eterna. Al\u00e9m de um lembrete, as cinzas tamb\u00e9m s\u00e3o um convite: um convite ao louvor a Deus, a mudan\u00e7a de vida e a outros valores da igreja cat\u00f3lica apost\u00f3lica romana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Por\u00e9m, para n\u00f3s, brasileiros a quarta-feira de cinzas ainda faz parte do carnaval, ou pelo menos metade dela, afinal a maioria dos servi\u00e7os e das lojas s\u00f3 voltam a funcionar depois do meio-dia. E, se pelo menos metade desse dia ainda faz parte da folia (ou da recupera\u00e7\u00e3o dela) n\u00e3o seria todo esse significado cat\u00f3lico soturno demais para fazer parte do carnaval, tal como ele \u00e9 por essas bandas?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Por isso que eu, e sugiro por meio deste que outros fa\u00e7am o mesmo, fiz o injustific\u00e1vel. Adulto e mergulhado na era da informa\u00e7\u00e3o retornei a explica\u00e7\u00e3o fabulosa e ir\u00f4nica de minha m\u00e3e. N\u00e3o por ignor\u00e2ncia, mas por op\u00e7\u00e3o. Porque tal explica\u00e7\u00e3o fabulosa e ir\u00f4nica parece o modo perfeito para por fim a festa m\u00e1xima das for\u00e7as dionis\u00edacas, a maior e mais alegre festa popular do planeta. Tal explica\u00e7\u00e3o, ao menos, torna essa fat\u00eddica quarta-feira mais bela e mais agrad\u00e1vel. T\u00e3o agrad\u00e1vel que me enche de vontade de olhar nos olhos da folia e dela despedir-me roubando as palavras de <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ana_Carolina_(cantora)\">Ana Carolina<\/a>:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><i>\u201cAt\u00e9 o feriado.<br \/>\nQuarta-feira de cinzas e t\u00e1 tudo acabado\u201d.<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cPor que esse nome, m\u00e3e, quarta-feira de cinzas?\u201d \u201cPorque depois de todos esses dias cantando, dan\u00e7ando e&#8230;","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-194","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=194"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1607,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194\/revisions\/1607"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=194"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=194"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}