{"id":196,"date":"2012-03-17T16:02:48","date_gmt":"2012-03-17T19:02:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/?p=196"},"modified":"2014-04-16T12:07:36","modified_gmt":"2014-04-16T15:07:36","slug":"os-plural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/os-plural\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Paulo: A cidade singular"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1454\" alt=\"img_logo_br\" src=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\" width=\"286\" height=\"135\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">Em portugu\u00eas brasileiro, assim como no portugu\u00eas europeu, e em diversas outras l\u00ednguas latinas, existe na gram\u00e1tica uma caracter\u00edstica conhecida como <i>Concord\u00e2ncia Nominal<\/i>. Esse termo, assim como grande parte dos termos da gram\u00e1tica portuguesa, e de todas as outras l\u00ednguas, \u00e9 muito mais dif\u00edcil de explicar do que de se utilizar, ou seja, o nome faz a coisa parecer muito mais assustadora do que realmente \u00e9 (e n\u00e3o seria essa a principal raz\u00e3o do horror de muitos alunos e, consequentemente, da repulsa de muitos cursos de l\u00ednguas \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o do <i>\u201cgramatiqu\u00eas\u201d<\/i>).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Bom, por\u00e9m, como eu disse acima, a coisa \u00e9 muito mais f\u00e1cil de se utilizar do que de se explicar. Por isso, vou tentar explicar primeiro, sem fazer uso de um exemplo, meio que s\u00f3 de birra e para comprovar tal tese.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Pela terminologia \u201cConcord\u00e2ncia Nominal\u201d, entendemos que todos os \u201cnomes\u201d da frase devem concordar entre si. Ou seja, todas as palavras que forem \u201cnomes\u201d (adjetivos, artigos, substantivos) devem estar no mesmo n\u00famero e g\u00eanero, desde que fa\u00e7am parte do mesmo grupo, ou seja, se refiram, denotem, a mesma coisa. Complicado n\u00e3o? Vejamos ent\u00e3o, um exemplo:<\/p>\n<p align=\"justify\">Comprei <i>um p\u00e3o franc\u00eas<\/i> ontem<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Comprei <i>dois p\u00e3es franceses<\/i> ontem<\/p>\n<p align=\"justify\">Na primeira frase o grupo nominal (no caso a coisa que eu comprei) se encontra no singular (porque comprei apenas uma coisa, ou melhor, um p\u00e3o franc\u00eas), <i>p\u00e3o franc\u00eas<\/i> se encontra no singular em todas as suas partes (p\u00e3o e franc\u00eas). Logo, os dois termos est\u00e3o concordando em g\u00eanero (ambos se encontram no masculino) e n\u00famero (ambos se encontram no singular). Racioc\u00ednio an\u00e1logo vale para o exemplo posterior no qual o grupo nominal se encontra no plural.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Essa \u00e9 uma regra muito simples e intuitiva da l\u00edngua portuguesa ( e de outras l\u00ednguas latinas) e \u00e9 usada em praticamente todos os n\u00edveis de linguagem (formal ou informal) e por quase todo o pa\u00eds. Sim, eu disse quase. Porque n\u00e3o existe plural em SP (S\u00e3o Paulo). S\u00e3o Paulo \u00e9 a terra onde n\u00e3o existe plural, principalmente na linguagem falada e \u00e0s vezes independendo do n\u00edvel de formalidade (a menos \u00e9 claro, que seja um discurso oficial). Ao contr\u00e1rio do que se pensaria normalmente, essa falta de plural \u00e9 uma pr\u00e1tica muito mais difundida na cidade de S\u00e3o Paulo (na capital) do que no Interior (sim, o interior \u00e9 <i>caipira<\/i>, mas grande parte dele faz uso do plural).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">S\u00e3o Paulo, no pa\u00eds da maior e mais famosa selva do mundo, \u00e9 carinhosamente conhecida como a selva de pedra. Uma megal\u00f3pole que, somando-se as cidades com as quais se conurbou, possui XX milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Se o Brasil foi realmente feito em um caldeir\u00e3o \u00e9tnico e cultural, em nenhum outro lugar do pa\u00eds foram utilizados tantos ingredientes diferentes. Europeus, asi\u00e1ticos, negros, migrantes de v\u00e1rias regi\u00f5es, partricinhas, manos, emos&#8230; Todos se encontram em S\u00e3o Paulo. Nenhuma outra cidade \u00e9 t\u00e3o plural. S\u00e3o Paulo, a \u00fanica grande cidade brasileira que n\u00e3o \u00e9 portu\u00e1ria, e que se desenvolveu tanto, justamente por ser o local em que v\u00e1rias estradas (e caravanas) se encontravam. Ou seja, \u00e0 moda de Roma, todos os caminhos levam a S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas, l\u00e1 existem paradoxos. Porque at\u00e9 mesmo os paradoxos se encontram nessa imensa encruzilhada que \u00e9 paulic\u00e9ia. Milh\u00f5es de op\u00e7\u00f5es culturais e uma mobilidade urbana im\u00f3vel. A extrema riqueza e a extrema pobreza, praticamente lado a lado. Lindos monumentos e pr\u00e9dios abandonados, em um vocabul\u00e1rio Caetan\u00edstico, coisas belas que s\u00e3o erguidas e destru\u00eddas pela for\u00e7a da grana. Ent\u00e3o, o fato de a cidade mais plural do pa\u00eds ignorar o plural na l\u00edngua (na l\u00edngua falada) e apenas mais um desses paradoxos e, aparentemente o menor deles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">No pr\u00f3ximo artigo, discutiremos como, quando e porque (em um mero levantamento de hip\u00f3teses) isso ocorre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em portugu\u00eas brasileiro, assim como no portugu\u00eas europeu, e em diversas outras l\u00ednguas latinas, existe na gram\u00e1tica&#8230;","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-196","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-idiomas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=196"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1606,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/196\/revisions\/1606"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}