{"id":198,"date":"2012-03-22T22:21:49","date_gmt":"2012-03-23T01:21:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/?p=198"},"modified":"2014-04-16T12:24:47","modified_gmt":"2014-04-16T15:24:47","slug":"os-mano-as-mina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/os-mano-as-mina\/","title":{"rendered":"Os mano, as mina"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1454\" alt=\"img_logo_br\" src=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\" width=\"286\" height=\"135\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">No post anterior, eu disse que S\u00e3o Paulo \u2013 nossa querida selva de pedra \u2013 pode n\u00e3o ser a Cidade do Pecado (ou pelo menos, n\u00e3o apenas a cidade do pecado), mas \u00e9 a Cidade dos Paradoxos. Na verdade, no pa\u00eds das diferen\u00e7as e dos paradoxos, nada mais adequado que os maiores deles se manifestarem na maior de suas cidades. A cracol\u00e2ndia e os Jardins, o terra\u00e7o It\u00e1lia e os inferninhos da Augusta, os condom\u00ednios fechados e os ambulantes vendendo \u00e1gua pelas ruas, a maior malha rodovi\u00e1ria do pa\u00eds, im\u00f3vel durante horas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas, esses paradoxos s\u00e3o grandes demais para este blog (ou <i>off-topic<\/i> demais). Estou aqui para continuar a falar do menor deles: do plural. Como S\u00e3o Paulo, a cidade mais plural do pa\u00eds (a cidade de todas as tribos) resolveu eliminar o plural dos substantivos ao falar? Como isso se d\u00e1? Quando isso \u00e9 percept\u00edvel? E por qu\u00ea?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Perceber isso \u00e9 muito f\u00e1cil. A todo momento, em todo lugar. Basta ir at\u00e9 a esta\u00e7\u00e3o de metro onde voc\u00ea deve pedir <i>dois unit\u00e1rio<\/i>, passear pela vinte e cinco de mar\u00e7o que \u00e9 o melhor lugar para comprar <i>umas coisinha<\/i> e depois terminar o passeio no mercad\u00e3o que \u00e9 o melhor lugar para comer <i>uns pastel<\/i>. Continuando suas andan\u00e7as (ou deveria dizer <i>suas andan\u00e7a<\/i>) pela capital, voc\u00ea logo encontra <i>uns mano<\/i> que lhe indicam o melhor caminho <i>pelas linha<\/i> do metr\u00f4 e dos <i>trem<\/i> e quantas <i>baldea\u00e7\u00e3o<\/i> voc\u00ea deve fazer. Tudo isso, para chegar at\u00e9 a Vila Mariana com <i>seus muitos barzinho<\/i> para tomar <i>umas breja<\/i> sossegadinho. E, caso voc\u00ea curta um agito, <i>os mano<\/i> tamb\u00e9m podem indicar como fazer para chegar a <i>umas balada<\/i> de elite, por\u00e9m dificilmente haver\u00e1 <i>bus\u00e3o<\/i> ou<i> metr\u00f4<\/i> para voltar, ent\u00e3o voc\u00ea deve ligar ou esperar <i>pelos taxi<\/i>. Agora, se voc\u00ea preferir um divertimento mais alternativo (com um que de hipster), pode rodar <i>pelos inferninho<\/i> da Rua Augusta, atr\u00e1s de <i>umas tribo urbana<\/i>, de <i>umas banda alternativa<\/i> e de <i>umas mina descolada<\/i>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Espero ter deixado claro acima que o esquecimento do plural n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma pr\u00e1tica <i>dos mano<\/i>, mas \u00e9 uma pr\u00e1tica generalizada em S\u00e3o Paulo, at\u00e9 entre aqueles que s\u00e3o cheios de <i>gadget<\/i> e comem <i>muitos cupcake<\/i>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas, por que isso ocorre? Por que esse descaso paulistano com o plural? De onde vem esse descaso natural e local com uma concord\u00e2ncia nominal que a maior parte daqueles que burlam certamente dominam?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Com certeza existem explica\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas confi\u00e1veis e trabalhos de pesquisa de refer\u00eancia a esse respeito. Trabalhos de conclus\u00e3o de curso, disserta\u00e7\u00f5es de mestrado, teses de doutorado, <i>papers<\/i> de professores doutores em lingu\u00edstica. Infelizmente, eu n\u00e3o conhe\u00e7o nenhuma dessas explica\u00e7\u00f5es. N\u00e3o conhe\u00e7o porque nenhuma delas, no fundo, ir\u00e1 esmiu\u00e7ar o fato e explica-lo com clareza e certeza absoluta. Jogar\u00e3o luz sobre o fen\u00f4meno, \u00e9 claro. Exumar\u00e3o sua hist\u00f3ria. Far\u00e3o uma autopsia de seu desenvolvimento e funcionamento. Mas, nenhuma dessas explica\u00e7\u00f5es e desses procedimentos acad\u00eamicos realmente me interessa. E, talvez, n\u00e3o interesse a voc\u00eas tamb\u00e9m, por isso vou criar minha pr\u00f3pria teoria completamente lend\u00e1ria e pseudocient\u00edfica: S\u00e3o Paulo (sim, a cidade como um todo) resolveu eliminar o <i>s<\/i> do plural por culpa do Rio de Janeiro (sim, a cidade como um todo).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Calma, explico. Se S\u00e3o Paulo tem um esp\u00edrito esse \u00e9 um esp\u00edrito ansioso e apressado. L\u00e1 se acorda como o hino \u201cvambora, vambra. J\u00e1 est\u00e1 na hora vambora, vambora\u201d. Nada \u00e9 mais valioso para o paulistano do que o tempo (que ele n\u00e3o aproveita, j\u00e1 o despender\u00e1 em um engarrafamento, tentando estacionar, esperando o metr\u00f4 \u2013 como eu disse &#8211; uma terra de paradoxos). Todo o segundo \u00e9 importante. E, c\u00e1 entre n\u00f3s, falar o <i>\u201cS\u201d<\/i> do plural \u00e0 moda carioca (<i>\u201cshhhhh\u201d<\/i>) com tamanho chiado leva bem uns tr\u00eas mil\u00e9simos de segundo. Uma frase inteira no plural com <i>\u201cs\u201d<\/i> pode levar de dois a tr\u00eas segundos a mais do que uma sem <i>\u201cs\u201d<\/i>. Dois ou tr\u00eas segundos a mais que podem ser a diferen\u00e7a entre ficar preso ou n\u00e3o no congestionamento, entre arrumar um lugar para sentar no \u00f4nibus ou no metr\u00f4 ou fazer a viagem em p\u00e9&#8230; dois ou tr\u00eas segundos que na verdade, n\u00e3o resultar\u00e3o em nada disso. Mas, no fundo, os paulistanos n\u00e3o t\u00eam culpa, nem consci\u00eancia disso est\u00e3o apenas seguindo o \u201cStadtgeist\u201d (o esp\u00edrito da cidade).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Um Stadgeist que embora excessivamente apressado, estressado, ansioso e preocupado com <i>as hora<\/i>, aprendi a amar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"No post anterior, eu disse que S\u00e3o Paulo \u2013 nossa querida selva de pedra \u2013 pode n\u00e3o&#8230;","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-198","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cidades"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/198"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=198"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/198\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1618,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/198\/revisions\/1618"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=198"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=198"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=198"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}