{"id":218,"date":"2012-06-06T23:30:32","date_gmt":"2012-06-07T02:30:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/?p=218"},"modified":"2014-04-16T11:58:57","modified_gmt":"2014-04-16T14:58:57","slug":"o-chato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/o-chato\/","title":{"rendered":"O &#8220;Chato&#8221;"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1454\" alt=\"img_logo_br\" src=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\" width=\"286\" height=\"135\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<p align=\"justify\"><i>\u201cChato \u00e9 aquele que explica tudo tim-tim por tim-tim e depois ainda entra em detalhes\u201d<\/i><br \/>\nMill\u00f4r Fernandes<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Um dos objetivos deste blog \u00e9 discutir aquelas palavrinhas e express\u00f5es complicadas de se entender no portugu\u00eas. Aquelas express\u00f5es que os estudantes de portugu\u00eas (ou falantes de portugu\u00eas como l\u00edngua estrangeira) n\u00e3o conseguem entender e que os falantes de portugu\u00eas (como l\u00edngua nativa) n\u00e3o conseguem explicar. Enfim, explicar aquelas palavrinhas e express\u00f5es chatas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">No caso espec\u00edfico deste post, o objetivo \u00e9 explicar tim-tim por tim-tim (em um par\u00e1grafo) e depois entrar em detalhes (no par\u00e1grafo seguinte) a respeito do sentido da palavra \u201cchato\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, como todo chato que se preze, este post n\u00e3o poderia tentar explicar o sentido de uma palavra sem destilar uma (falsa) profunda erudi\u00e7\u00e3o. Por isso, o \u201cchato\u201d n\u00e3o ser\u00e1 explicado (tim-tim por tim-tim) sem a presen\u00e7a de uma obra de refer\u00eancia. Por\u00e9m, de novo, como todo chato que se preze, tal obra de refer\u00eancia n\u00e3o ser\u00e1 uma obra de alta estatura filos\u00f3fica, liter\u00e1ria ou po\u00e9tica, n\u00e3o ser\u00e1 nem ao menos um texto, mas sim uma m\u00fasica de um cara bem chato. Tal m\u00fasica, \u00e9 claro, como n\u00e3o poderia deixar de ser, \u00e9 <a href=\"http:\/\/letras.terra.com.br\/oswaldo-montenegro\/82853\/\">&#8220;O Chato&#8221;<\/a> de Oswaldo Montenegro (caso n\u00e3o conhe\u00e7a essa \u201crefer\u00eancia bibliogr\u00e1fica\u201d ou\u00e7a a m\u00fasica e leia a letra <a href=\"http:\/\/letras.terra.com.br\/oswaldo-montenegro\/82853\/\">aqui<\/a>).&lt;\/p<\/p>\n<p align=\"justify\">Tendo cumprido a obriga\u00e7\u00e3o (na condi\u00e7\u00e3o de chato) de fazer uma introdu\u00e7\u00e3o enorme, vamos, enfim, ao sentido de &#8220;chato&#8221;. O primeiro sentido da palavra &#8220;chato&#8221; (aquele que recebe o n\u00famero 1 e, talvez tamb\u00e9m o n\u00famero 2 no dicion\u00e1rio) \u00e9: <i>liso, plano, sem relevo (ou quase sem relevo)<\/i>. Como adjetivo, geralmente \u00e9 usado para superf\u00edcies ou \u00e1reas. O adjetivo chato deve ent\u00e3o ter passado, por semelhan\u00e7a de sentido, a designar uma caracter\u00edstica da personalidade e do comportamento humano. <i>\u201cTodo chato \u00e9 calminho como se faltasse sal\u201d.<\/i> Logo, uma pessoa chata \u00e9 uma pessoa plana, sem relevo, sem altera\u00e7\u00f5es. Ou seja, uma pessoa ma\u00e7ante, educada, boazinha, uma pessoa sem defeito grave, exceto, \u00e9 claro, o de ser chata. O mesmo pode ser dito de uma m\u00fasica, um filme, um livro. Um filme mal feito, por exemplo, \u00e9 um filme horroroso, <i>trash<\/i>, mas n\u00e3o um filme chato. Esse \u00faltimo \u00e9 bem feito, bem atuado, bem dirigido, bem fotografado, sem defeitos t\u00e9cnicos, sem furos de roteiro, sem defeitos, exceto, \u00e9 claro, o de ser chato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Por isso, \u00e9 importante n\u00e3o confundir os chatos com os demais tipos desagrad\u00e1veis. \u00c9 injusto confundi-lo com o falso, com o intransigente, com o mal-educado, com o irasc\u00edvel, com o arrogante ou com o trambiqueiro. Perto deles, o chato \u00e9 inofensivo. O chato paga seus impostos em dia, recicla seu lixo, segue o <i>dress-code<\/i>, \u00e9 educado, fala em um volume moderado, n\u00e3o mente, ama os animais, n\u00e3o arruma confus\u00f5es e na maioria das vezes quer o bem do pr\u00f3ximo (incluindo o seu). Justamente por ser t\u00e3o <i>do bem<\/i>, t\u00e3o correto, t\u00e3o \u00e9tico e t\u00e3o consciente \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o suporta ficar perto dele. Nem ouvir os seus conselhos, suas dicas ou informa\u00e7\u00f5es a respeito do que \u00e9 moral, correto, \u00e9tico, saud\u00e1vel, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Existe ainda uma progress\u00e3o (ou seria evolu\u00e7\u00e3o?) do chato: o chato de galocha. Galocha era um tipo de bota feita ou revestida de borracha que tinha (hoje est\u00e3o praticamente extintas) a fun\u00e7\u00e3o de proteger os p\u00e9s e as meias da chuva, da lama ou de outras subst\u00e2ncias que poderiam penetrar em cal\u00e7ados normais e perme\u00e1veis. Diz, ent\u00e3o, a lenda etimol\u00f3gica (que \u00e9 sempre muito mais interessante do que qualquer teoria etimol\u00f3gica) que o chato de galocha seria aquele que mesmo em um dia chuvoso, colocaria as suas galochas e faria uma visita \u201caos amigos\u201d. Logo, chato de galocha \u00e9 aquele que n\u00e3o deixa em paz, que n\u00e3o d\u00e1 sossego.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 claro, chato tamb\u00e9m pode ser usado como substantivo. Nesse uso, \u00e9 o nome popular do <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Piolho-da-p%C3%BAbis\">Piolho-da-P\u00fabis<\/a>.Acho que n\u00e3o \u00e9 preciso explicar, por que esse inseto parasita nada simp\u00e1tico recebeu esse nome, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cChato \u00e9 aquele que explica tudo tim-tim por tim-tim e depois ainda entra em detalhes\u201d Mill\u00f4r Fernandes&#8230;","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-218","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/218"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=218"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/218\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1588,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/218\/revisions\/1588"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=218"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=218"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=218"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}