{"id":228,"date":"2012-07-13T13:06:16","date_gmt":"2012-07-13T16:06:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/?p=228"},"modified":"2014-04-15T14:55:34","modified_gmt":"2014-04-15T17:55:34","slug":"o-trem-do-mineiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/o-trem-do-mineiro\/","title":{"rendered":"O trem do mineiro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><a href=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1454\" alt=\"img_logo_br\" src=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\" width=\"286\" height=\"135\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"center\">Parte 1: A Locomotiva<\/p>\n<p align=\"justify\">Devido ao tamanho, este texto ser\u00e1 dividido em duas partes denominadas, respectivamente, com o perd\u00e3o do trocadilho de <i>\u201cA Locomotiva\u201d<\/i> e <i>\u201cOs Vag\u00f5es\u201d<\/i>. Tal denomina\u00e7\u00e3o n\u00e3o constitui refer\u00eancia a nenhuma suposta prioridade ou import\u00e2ncia, \u00e9 apenas um trocadilho pelo trocadilho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Como o Brasil \u00e9 um pa\u00eds de propor\u00e7\u00f5es continentais \u00e9 normal que o portugu\u00eas brasileiro apresente uma s\u00e9rie de varia\u00e7\u00f5es regionais. Afinal, cada regi\u00e3o possui uma cultura diferente, uma hist\u00f3ria diferente, recebeu imigrantes diferentes e sofreu influ\u00eancias diferentes. Por n\u00e3o apresentarem diferen\u00e7as estruturais significativas (a maioria das diferen\u00e7as se resume a algumas palavras e express\u00f5es idiom\u00e1ticas exclusivas de determinada regi\u00e3o), tais varia\u00e7\u00f5es n\u00e3o chegam a constituir dialetos propriamente ditos (embora, muitas vezes sejam consideradas como tais para fins de refer\u00eancia, estudo e pesquisa). Portanto, tais varia\u00e7\u00f5es n\u00e3o chegam a impedir ou dificultar (muito) a comunica\u00e7\u00e3o entre pessoas oriundas de regi\u00f5es diferentes. Assim, as varia\u00e7\u00f5es regionais brasileiras acabam sendo muito mais uma forma de express\u00e3o da identidade cultural regional do que dialetos em si, acabam resultando mais em situa\u00e7\u00f5es engra\u00e7adas do que em situa\u00e7\u00f5es de grave mal entendido, acabam, enfim, adicionando variedade, \u201csabor\u201d e beleza \u00e0 l\u00edngua portuguesa brasileira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Uma das varia\u00e7\u00f5es regionais mais conhecidas e famosas por suas peculiaridades \u00e9 o \u201cdialeto mineiro\u201d. Embora possua um ritmo mais tranquilo (que lembra um pouco a melodia dos dialetos nordestinos), \u00e9 uma das varia\u00e7\u00f5es mais r\u00e1pidas do pa\u00eds, gra\u00e7as a sua caracter\u00edstica de emenda de palavras e de omiss\u00e3o das s\u00edlabas finais. (Usando uma famosa brincadeira com os mineiros como exemplo, <i>\u201conde que eu estou?<\/i>\u201d, soaria como algo parecido com <i>\u201co\u2019 queu \u00b4t\u00f4?\u201d<\/i>).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Com o advento da internet e das redes sociais, que geraram uma enorme facilidade de express\u00e3o, muitas pessoas usam as varia\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas como bandeira do orgulho regional. Por\u00e9m, muitas vezes, \u00e0 semelhan\u00e7a do que ocorre com muitas discuss\u00f5es e debates na internet, tal orgulho regional \u00e9 nublado pela vontade de \u201cvencer\u201d, de \u201cestar certo\u201d e de provar-se superior ao outro. E, como em todas as vezes que isso acontece, a verdade e o bom senso s\u00e3o as primeiras v\u00edtimas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">O debate em quest\u00e3o diz respeito ao termo \u201ctrem\u201d. Enquanto o restante do pa\u00eds usa o termo para se referir ao comboio ferrovi\u00e1rio, os mineiros o usam para se referir a qualquer coisa, ou seja, os mineiros o usam como sin\u00f4nimo de \u201ccoisa\u201d. Seu uso pode ser ilustrado pela seguinte situa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um casal de mineiros de mudan\u00e7a est\u00e1 esperando o trem na esta\u00e7\u00e3o com todas as suas malas. Ao avistar o trem, o marido fala: <i>\u201cMulher, pega os trem que a coisa est\u00e1 chegando\u201d <\/i>(assim mesmo, sem plural).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">O argumento em quest\u00e3o difundido nas redes s\u00f3cias seria o de que os mineiros estariam \u201ccertos\u201d. De que o trem (no sentido do portugu\u00eas brasileiro \u201cgeral\u201d) seria em sua origem <i>trem de ferro<\/i>, justamente para que se diferenciasse o <i>trem de ferro<\/i> dos outros <i>trem<\/i>. Portanto, a palavra <i>trem<\/i> primeiro teria sido usada como sin\u00f4nimo de um conjunto de coisas e s\u00f3 depois, por altera\u00e7\u00e3o do termo <i>trem de ferro<\/i>, teria passado a ser usada para designar o ve\u00edculo ferrovi\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao ouvir tal explica\u00e7\u00e3o, fiquei um pouco desconfiado. Principalmente devido \u00e0 semelhan\u00e7a do termo trem com outras l\u00ednguas (<i>treno, train<\/i>, etc.), j\u00e1 que tal semelhan\u00e7a, geralmente, indica que o termo possui uma origem comum a todos os idiomas. Que origem, por\u00e9m, seria essa? Bom, aproveitando que isso \u00e9 o mais pr\u00f3ximo de um <i>cliffhanger<\/i> que um blog sobre linguagem pode chegar, fiquemos por aqui. Responderemos tal quest\u00e3o no pr\u00f3ximo post.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Parte 1: A Locomotiva Devido ao tamanho, este texto ser\u00e1 dividido em duas partes denominadas, respectivamente, com&#8230;","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-228","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/228"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=228"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/228\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1582,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/228\/revisions\/1582"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=228"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=228"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=228"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}