{"id":232,"date":"2012-07-24T21:51:55","date_gmt":"2012-07-25T00:51:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/?p=232"},"modified":"2014-04-15T14:44:14","modified_gmt":"2014-04-15T17:44:14","slug":"o-trem-do-mineiro-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/o-trem-do-mineiro-2\/","title":{"rendered":"O trem do mineiro (2)"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><a href=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1454\" alt=\"img_logo_br\" src=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\" width=\"286\" height=\"135\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"center\"><b>Parte 2: A Locomotiva<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Bom, engatamos aqui no gancho que foi lan\u00e7ado no artigo anterior e continuamos a discutir brevemente a origem da palavra trem e de seu uso t\u00edpico (e mais abrangente) por parte dos mineiros (tamb\u00e9m, conhecidos, formalmente, como falantes do dialeto mineiro). Peguemos, ent\u00e3o, novamente o trem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Os trens, como o conhecemos, foram criados pelos ingleses durante a revolu\u00e7\u00e3o industrial. O comboio ferrovi\u00e1rio recebeu esse nome de uma s\u00e9rie de ve\u00edculos puxados por tra\u00e7\u00e3o animal (carruagens) ligados entre si e que percorriam uma trilha espec\u00edfica. Da Inglaterra, a palavra train veio para o portugu\u00eas, por empr\u00e9stimo, na forma trem. J\u00e1 a palavra inglesa, train, por sua vez tem sua origem ligada ao verbo franc\u00eas tr\u00e2iner que significa \u201cpuxar\u201d. Um processo semelhante se manifesta na l\u00edngua alem\u00e3 onde os trens s\u00e3o chamados de \u201cZug\u201d, que vem de \u201czog\u201d, passado de ziehen que significa puxar. O mesmo acontece no b\u00falgaro e no h\u00fangaro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Portanto, o argumento est\u00e1 baseado na fal\u00e1cia da etimologia fantasiosa. Embora trem possa sim se referir a um conjunto de objetos, se refere a um conjunto de objetos (pelo menos em sua origem em diversas l\u00ednguas como explicado acima) \u201cpuxados\u201d, e n\u00e3o a um conjunto de objetos per se. Portanto, o que caracteriza o \u201ctrem\u201d (e o que levou os ingleses a batizarem o ve\u00edculo com o nome que tomamos por empr\u00e9stimo) n\u00e3o \u00e9 o fato de ser composto por v\u00e1rios objetos, mas o fato de tais objetos estarem sendo puxadas (por uma tra\u00e7\u00e3o frontal). Ou seja, isso significa que o trem como comboio ferrovi\u00e1rio n\u00e3o deriva diretamente do conjunto de coisas. Logo, \u00e9 o trem mineiro que deriva do trem \u201cgen\u00e9rico\u201d (por especifica\u00e7\u00e3o, um conjunto de coisas puxadas passou a designar qualquer coisa) e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 preciso salientar, contudo, que o objetivo deste post \u00e9 provar que o argumento \u00e9 falacioso (est\u00e1 errado) e n\u00e3o que os mineiros est\u00e3o errados. Nesse caso, como se trata de uma quest\u00e3o de varia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica, n\u00e3o cabe a aplica\u00e7\u00e3o de temos como certo ou errado, se coubesse as pr\u00f3prias varia\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas n\u00e3o existiriam (ter\u00edamos uma l\u00edngua padr\u00e3o correta e engessada). Portanto, n\u00e3o h\u00e1 a necessidade nenhuma de provar que se est\u00e1 certo, ou quem deriva de quem, ou de inventar argumentos falaciosos e etimologias fant\u00e1sticas para expressar ou sentir-se orgulhoso do dialeto mineiro. O dialeto mineiro, assim como o povo que o fala, \u00e9 \u201cdoidimais\u201d. Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 preciso dizer mais nada, s\u00f4.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Parte 2: A Locomotiva &nbsp; Bom, engatamos aqui no gancho que foi lan\u00e7ado no artigo anterior e&#8230;","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-232","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/232"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=232"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/232\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1580,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/232\/revisions\/1580"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=232"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=232"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=232"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}