{"id":538,"date":"2013-07-28T18:31:56","date_gmt":"2013-07-28T21:31:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/?p=538"},"modified":"2014-05-05T11:12:04","modified_gmt":"2014-05-05T14:12:04","slug":"por-que-o-superman-e-bom-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/por-que-o-superman-e-bom-3\/","title":{"rendered":"Por que o Superman \u00e9 bom?"},"content":{"rendered":"<h2>Parte 3 &#8211; Superman, 1978<\/h2>\n<p align=\"justify\">Este \u00e9 o terceiro de uma s\u00e9rie de posts a respeito do Superman para comemorar a estreia do mais novo filme do mais antigo super-her\u00f3i. Ap\u00f3s identificarmos a abordagem \u00e0 quest\u00e3o \u201cpor que o Superman \u00e9 bom?\u201d como um importante ingrediente para as mais recentes hist\u00f3rias do Superman (<a href=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/?p=527\">parte 1<\/a>), percebemos que em \u00e9pocas menos recentes, tal abordagem n\u00e3o se fazia necess\u00e1ria, uma vez que eram muito claros os motivos pelos quais o \u00faltimo filho de Krypton era o s\u00edmbolo da moral: a defesa da justi\u00e7a, verdade e do modo americano (identificados, ent\u00e3o, naquele contexto, com o bem \u2013 <a href=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/?p=531\">parte 2<\/a>). Nesta terceira parte, nos concentraremos em como o cl\u00e1ssico filme de Richard Donner (Superman de 1978) trata tal quest\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Como o filme de Donner se enquadra em um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/?p=531\">parte 2<\/a>), Donner n\u00e3o pode (e nem quer) se apoiar na \u201cverdade, justi\u00e7a e o modo americano\u201d, por\u00e9m, como seu filme se encontra em uma \u00e9poca \u201cmais inocente\u201d nas hist\u00f3rias de super-her\u00f3is, n\u00e3o precisa se esfor\u00e7ar tanto para construir uma personalidade que justifique o fato do Superman n\u00e3o dominar o mundo. Ent\u00e3o, em seu filme, tal quest\u00e3o \u00e9 abordada de forma negativa (\u201cporque o Superman n\u00e3o \u00e9 mal?\u201d) e, digamos, superegoica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Ou seja, no filme de 1978, o Superman n\u00e3o \u00e9 mal porque possui superego. Isso aquele mesmo do Freud. Embora, meus conhecimentos de psican\u00e1lise freudiana n\u00e3o sirvam para mais do que discuss\u00f5es de bar, \u00e9 exatamente esse o esp\u00edrito dos textos deste blog.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">No geral, o superego est\u00e1 associado com a figura do pai, que acaba por nos inserir a ideia de que existe uma limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica e, depois, moral para nossos desejos. Voltando a uma ideia da <a href=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/?p=531\">parte 2<\/a>, o Superman do filme de Donner \u00e9 bom, porque seus dois pais o ensinam que mesmo que n\u00e3o haja uma limita\u00e7\u00e3o f\u00edsica para seus atos, deve haver uma limita\u00e7\u00e3o moral. O que \u00e9 ressaltado com a morte de seu pai terr\u00e1queo (que mesmo com todos os seus poderes o her\u00f3i n\u00e3o foi capaz de salvar) e com o discurso de seu pai celeste (que tem o poder aumentado pelo efeito et\u00e9reo de cabe\u00e7a flutuante e pela poderosa voz de Marlon Brando). Ou seja, podemos dizer que Clark possui duas camadas de superego. A primeira delas, criada por Jonhattan Kent durante sua inf\u00e2ncia na pequena cidade de Smallville e a segunda delas, criada pelo holograma de Jor-El na Fortaleza da Solid\u00e3o. Essas duas cria\u00e7\u00f5es formam em Kal-El a ideia de que mesmo que ele possa \u2013 capacidade &#8211; interferir em tudo, em algumas coisas ele n\u00e3o pode \u2013 moralmente &#8211; interferir. Dentre essas coisas nas quais Kal-El n\u00e3o poderia \u2013 moralmente &#8211; interferir, a principal delas seria a hist\u00f3ria humana (na defini\u00e7\u00e3o de Jor-El) ou o destino (em uma defini\u00e7\u00e3o mais comum). Essa hist\u00f3ria humana inalter\u00e1vel se manifesta no filme pela morte de Jonhattan Kent e de Lois Lane.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c9 este \u00faltimo evento, contudo, que leva ao cl\u00edmax e a mais memor\u00e1vel cena do filme, quando um indignado Superman \u2013 por ter perdido sua amada mesmo depois de salvar o mundo \u2013 decide voltar no tempo para salvar a vida de Lois, revoltando-se assim contra os des\u00edgnios de seu pai hologr\u00e1fico, Jor-El, cuja voz espectral pode ser ouvida pelo Homem de A\u00e7o enquanto, temporariamente, rompe a \u00fanica limita\u00e7\u00e3o que lhe havia sido imposta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Creio que o fato de Lois servir como motiva\u00e7\u00e3o para essa viola\u00e7\u00e3o por parte do Homem de A\u00e7o pode ser lida de duas formas n\u00e3o excludentes: na primeira, Lois, seria mais uma manifesta\u00e7\u00e3o do feminino sombrio, ou seja, Lois, como Eva, portaria o mal, fazendo com que o homem (no caso, o Super) desobedecesse \u00e0 \u00fanica restri\u00e7\u00e3o imposta pelo pai celestial; j\u00e1 na segunda, Lois seria a motiva\u00e7\u00e3o para que o Super, finalmente, se transformasse em homem, ou seja, atingisse a maturidade ao superar a influ\u00eancia do \u201cfantasma\u201d de seu pai e ao tra\u00e7ar seu pr\u00f3prio caminho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Eu prefiro ver a cena da segunda forma. Um pouco tamb\u00e9m pela bel\u00edssima m\u00fasica <i>Super-Homem, a Can\u00e7ao<\/i> de Gilberto Gil:<\/p>\n<p><i>Quem sabe o super-homem venha nos restituir a gl\u00f3ria<br \/>\nMudando como um Deus o curso da hist\u00f3ria<br \/>\nPor causa da mulher<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Na pr\u00f3xima parte, chegaremos ao filme mais recente de Nolan \/ Snyder \/Goyer. Qual ser\u00e1 abordagem dada por esse filme que tenta reconstruir o Homem de A\u00e7o para as gera\u00e7\u00f5es mais recentes?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Parte 3 &#8211; Superman, 1978 Este \u00e9 o terceiro de uma s\u00e9rie de posts a respeito do&#8230;","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,16],"tags":[],"class_list":["post-538","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-literatura","category-tv-filmes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/538"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=538"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/538\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1717,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/538\/revisions\/1717"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=538"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=538"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=538"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}