{"id":69,"date":"2011-06-29T00:33:21","date_gmt":"2011-06-29T03:33:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.languagetrainers.com.br\/blog\/?p=69"},"modified":"2014-04-16T12:52:01","modified_gmt":"2014-04-16T15:52:01","slug":"amor-e-lingua-ultima-parte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/amor-e-lingua-ultima-parte\/","title":{"rendered":"Amor e L\u00edngua: \u00daltima Parte"},"content":{"rendered":"<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1454\" alt=\"img_logo_br\" src=\"http:\/\/www.languagetrainersbrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/07\/img_logo_br.jpg\" width=\"286\" height=\"135\" \/><\/a><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"color: blue; font-size: medium;\"> <b><i> Ainda encontro a sem\u00e2ntica do amor<\/i><\/b><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Sem\u00e2ntica \u00e9 a ci\u00eancia que estuda o significado. Concentra-se, portanto, no estudo das rela\u00e7\u00f5es entre os <i>significantes<\/i> (palavras, frases, signos e s\u00edmbolos) e os seu <i>denotata<\/i>. Ou seja, no estudo dos signos e do que eles significam, da id\u00e9ia ou conceito para o qual eles \u201capontam\u201d. Contudo, quase que por ironia, a pr\u00f3pria palavra <i>sem\u00e2ntica<\/i> \u201caponta\u201d para mais de um conceito. Aquele citado acima \u00e9 apenas o sentido mais t\u00e9cnico, aquele que se refere a ci\u00eancia estudada nas faculdades de lingu\u00edstica. Mas, <i>sem\u00e2ntica<\/i> tamb\u00e9m tem um sentido popular, no qual, \u00e9 praticamente sin\u00f4nima de conota\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, a sem\u00e2ntica torna-se a arte de bem escolher as palavras, a arte da escolha da palavra correta para denotar (\u201capontar\u201d) a coisa correta. Justamente esse sentido popular, ou menos t\u00e9cnico, \u00e9 o que precisamos para este post. O problema deste, contudo, n\u00e3o \u00e9 buscar exatamente o bem utilizar da palavra <i>amor<\/i>. Isso passa pelos meandros obscuros, obtusos e curvil\u00edneos da sensibilidade de cada um. O assunto deste \u00e9 bem mais simples (pelo menos, bem mais simples do que seria esse outro), o problema a ser tratado aqui \u00e9 posterior, o problema aqui \u00e9 qual <i>significante<\/i> utilizar para <i>denotar<\/i> a pessoa amada? Obviamente que tal problema s\u00f3 se p\u00f5e quando a pessoa amada em quest\u00e3o assume o papel da terceira pessoa do discurso. Pois, quando essa \u00e9 a segunda pessoa, e usamos o vocativo, tudo fica muito f\u00e1cil. Basta utilizar qualquer apelidinho carinhoso, fofo e cheio de vogais que vier a cabe\u00e7a: bizunginha, mosi, borboletinha&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, tal problema n\u00e3o existia <i>Namorada \u2013&gt; Noiva \u2013&gt; Esposa -&gt; Falecida <\/i>e ponto final. A distin\u00e7\u00e3o entre todos os termos era muito clara. Contudo, em nossa era de relacionamentos flu\u00eddos, como definir o status sem\u00e2ntico da pessoa com a qual nos relacionamos? Segue abaixo algumas sugest\u00f5es e coment\u00e1rios sobre significantes pouco ou muito utilizados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Peguete:<\/b> G\u00edria derivada de \u201cpegar\u201d. Aquela que est\u00e1 se pegando. H\u00e1 quem considere um pouco vulgar, machista (n\u00e3o pelo fato de n\u00e3o ser ficanta) ou simplesmente horr\u00edvel mesmo. \u00c9 extremamente adequado quando se tem menos de 20 anos, usa-se cabelo moicano, bermudas largas e escuta-se funk (ou Restart, ou Luan Santana) no celular sem fone. Depois, dessa idade, soa anacr\u00f4nico e rid\u00edculo (assim como todas as outras atitudes \u201cjoviais\u201d supracitadas&#8230;).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Ficante:<\/b> Aquela com quem se fica. Considerado bem menos vulgar e adolescente (al\u00e9m de mais pr\u00f3-direitos das mulheres). Pode ser usado tranquilamente at\u00e9 em idades mais adultas e em ambientes menos informais. Come\u00e7a a soar estranho quando voc\u00ea <i>fica<\/i> com sua <i>ficante<\/i> durante mais do que alguns meses (come\u00e7a a dar a id\u00e9ia de que, voc\u00ea ainda n\u00e3o quer se envolver&#8230;)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Garota (o)<\/b>: Aos 15 anos soa \u201cAltas Horas\u201d demais. Aos 20 soa correto. Aos 30 soa lisonjeiro (algo como \u201cveja como ela\/ele parece mais jovem\u201d). Aos 40, levemente ir\u00f4nico. Aos 50, como uma piada de mal gosto&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Amante:<\/b> Essa seria perfeita. Aquela a quem se est\u00e1 amando (mesmo processo de deriva\u00e7\u00e3o da ficante). Por\u00e9m, a evolu\u00e7\u00e3o social da palavra acabou associando-a ao adult\u00e9rio e, assim, perdeu-se uma excelente, e bela, op\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica (o mesmo vale para a sonoriss\u00edma concubina).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Fitinha<\/b>: V\u00e1lido tanto para o masculino quanto o feminino. Deve ser reservada a ambientes completamente informais (exemplo Roda de Amigos) e aos casos ainda n\u00e3o consumados (a <i>fitinha<\/i> \u00e9 a potencial <i>ficante<\/i>).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Gata(o)<\/b>: Lisonjeiro, curto, voc\u00e1lico e independente de idade. Mas, n\u00e3o atemporal. Usar esse termo d\u00e1 a impress\u00e3o de que a sua paix\u00e3o de adolesc\u00eancia era a Malu Mader (nos tempos de \u201cAnos Dourados\u201d).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><b>Namorada (o)<\/b>: Os relacionamentos se tornaram t\u00e3o flu\u00eddos que namorada(o) \u00e9 reservado, agora, apenas aos casos mais importantes (embora, todos comemorem o dia dos namorados). \u00c9 muito comum o uso da express\u00e3o: <i>:\u201cn\u00e3o estou namorando, s\u00f3 ficando\u201d. <\/i> Como ent\u00e3o, diferenciar o ficar do namorar? Como determinar exatamente quando a rela\u00e7\u00e3o ganha o grau de import\u00e2ncia suficiente para atingir esse status sem\u00e2ntico? Sugiro aqui, meu crit\u00e9rio pessoal: namorada (o) \u00e9 aquela que se apresenta para m\u00e3e (ou para o pai no caso das meninas).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Obviamente n\u00e3o consegui abranger aqui todo esse rico campo sem\u00e2ntico. Muitas outros significantes podem ser utilizados desde a cria\u00e7\u00e3o de express\u00f5es originais (<i>a mulher que me faz querer ouvir Roupa Nova<\/i>), a utiliza\u00e7\u00e3o de clich\u00eas (<i>a mulher da minha vida<\/i>), adapta\u00e7\u00e3o de termos de outras l\u00ednguas (<i>date, affair<\/i>) e at\u00e9 gestos (<i>cora\u00e7\u00e3ozinho Restart<\/i>) Enfim, vale tudo. Porque o importante, ainda que tenhamos essa necessidade louca de deixar as coisas bem definidas, \u00e9 estar bem, quere bem. Se isso acontece, com o tempo as coisas certamente, hora ou outra, se definem. Tanto rom\u00e2ntica quanto semanticamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ainda encontro a sem\u00e2ntica do amor &nbsp; Sem\u00e2ntica \u00e9 a ci\u00eancia que estuda o significado. 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