A Minha Incrível Viagem Pelo Mundo – Uma Experiência Linguística e Cultural

No longínquo ano de 2006 eu resolvi mudar a minha vida e mergulhar na experiência mais incrível que uma pessoa pode viver: viajar o mundo!

Tranquei meu curso de Relações Internacionais na Universidade Católica de Goiás (hoje em dia já é PUC – Pontifícia Universidade Católica de Goiás) e fui fazer um curso de instrutor de desenvolvimento humano na Inglaterra e ai depois de 10 meses iria para África trabalhar como voluntário.

Como uma motivação para os leitores do blog estudarem línguas estrangeiras, vou contar um pouquinho da minha história e como eu descobri a duras penas a importância de aprender um outro idioma.

Vamos pelo começo:

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Primeira Parada: Inglaterra

Essa foi minha primeira viagem internacional e também a primeira vez que eu andei de avião. Fui sem saber falar inglês muito bem e sem conhecer muita coisa de como era o país. Cheguei em Londres, passei sem muito problemas pela imigração e fui para a King’s Cross Station para tomar um trem (também pela primeira vez na vida) para a cidade de Kingston Upon Hull, no nordeste da Inglaterra.

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Imagem: Google Maps

Eu estava chegando em uma escola, onde eu também morava, e que era bem “alternativa”. Ligada a uma ONG dinamarquesa e que cuida da preparação de voluntários que vão à África e Ásia, essa escola se chama CICD – College for International Cooperation and Development, onde fiz um curso de instrutor de desenvolvimento humano (preparação para ir à África).

Os alunos, de todo o mundo, vivíamos todos juntos em um “campus”  e tínhamos vários tarefas diversas como a manutenção do local e a preparação da nossa própria comida, etc.

Nós eramos de diferentes nacionalidades (eu tive que de imediato dividir um quarto com um argentino) e inicialmente, nas primeiras semanas tudo foi um grande choque e aprendi muito de diferentes coisas e claro, línguas de todos que estavam lá.

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Imagem: Arquivo Pessoal

Argentina, Brasil, Japão, Hungria, Romênia, Estônia, Rússia, Portugal, Ucrânia, Alemanha, Belarus, etc. Todos morando juntos, com responsabilidades como limpar, pintar a escola, cozinhar, lavar vasilhas, etc. Além do mais tínhamos que ir paras as ruas e coletar doações, em INGLÊS – no meio da rua! E assim coletar fundos para os nosso futuros projetos na África.

Além do mais tínhamos que de vez enquanto trabalhar pra escola, pois eles tinham um programa de coleta de roupas usadas, então havia que empacotar tudo.

Só uma explicação extra, todo esse curso, era de “graça”, entretanto nós tínhamos a possibilidade de trabalhar pra escola (MUITO) e juntar o dinheiro necessário para começar o curso.

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Imagem: Arquivo Pessoal

Morávamos na escola (já repeti isso umas 4 vezes) e quase sempre ficávamos lá (era no meio do nada, longe de tudo, tipo um universo paralelo fora da Inglaterra). Estudávamos desenvolvimento humano, prevenção e tratamento de HIV-AIDS, tolerância racial, programas de higiene, prevenção de doenças sanitárias, etc.

Os que iriam para Moçambique e não falavam português, teriam que aprende-lo, eu fui o professor. Não foi fácil ensinar português para japoneses, estonianos e ingleses.

Depois de 10 longos, úmidos e frios meses na Inglaterra, chegou a hora de partir para a África.

Tinha a opção de ir para Malaui ou Moçambique. Escolhi a segunda opção por laços culturais e linguísticos, acreditando que por ser nativo em português meu trabalho poderia ser mais fácil.

 

Segunda Parada: Moçambique

Após muitas horas de viagem de viagem, enfim, SOL, CALOR. Entretanto não estava em Moçambique ainda, porém em Joanesburgo na África do Sul, onde fiquei 2 dias apenas esperando para pegar um ônibus e chegar ao meu destino final.

Eu trabalhava em projeto da ONG que se chamava EPF (Escola de Professores do Futuro) onde eu dava aulas complementares da grade de professores. Na verdade era um curso de licenciatura pra formar professores primários que iriam trabalhar nas aldeias e confins de Moçambique, mas os professores africanos tinham poucas qualificações.

Minha incumbência lá era ensinar computação e cuidar da rede de computadores deles (sim eles tinham uma rede de computadores). No final estava ensinando português, historia, inglês, etc.

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Imagem: Arquivo Pessoal

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Imagem: Arquivo Pessoal

Morava com mais sete pessoas em uma casa que não tinha água corrente e eletricidade uma vez por mês. Éramos de todos os lados do mundo: um de Portugal, um da Galícia, região no norte da Espanha (que falava galego, uma língua que é quase português, mais parecido que o espanhol), um americano, uma japonesa, um canadense, uma coreana, uma lituana e uma suíça.

 

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E em que língua nos comunicávamos? Em espanhol, português, inglês e as vezes até misturando com Macua (dialeto local de origem banto, falado no norte de Moçambique e no sul da Tanzânia).

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Imagem: Arquivo Pessoal

Depois de 6 meses na África, 15 quilos menos, incontáveis diarreias, reações alérgicas diversas e 3 malárias; Bem posso dizer que me tornei outra pessoa, mais simples e desapegada de bens materiais e bem mais humano.

Women’s club dance – NACALA – Sem Rumo from Onerio Neto on Vimeo.

Porém a história não acaba por ai. No próximo artigo vou contar como foi voltar para Europa, morar na Dinamarca, e de imediato mudar para a Índia, China, Laos e Vietnã.

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