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Há alguns dias tivemos, aqui no Brasil e em todos os lugares que seguem o calendário ocidental, a noite de Réveillon. Agora que estão, ao menos espero, todos, eu inclusive, dela recuperados, podemos refletir um pouco sobre ela. Porém, como neste blog nunca se reflete sobre as coisas, mas sim sobre o nome das coisas, vamos então, na verdade, refletir sobre o nome da fatídica – sempre mais para uns do que para outros – noite.

 

A palavra Réveillon vem do francês “despertar”. Como não falo francês, admito, não sem certa vergonha, que obtive tal informação na não-muito confiável Wikipedia – coisas da geração pós-enciclopédia Britânica – porém, a exatidão etimológica não é assim tão importante para o desenvolvimento deste que não passa de uma sugestão baseada em argumentos pra lá de subjetivos para que deixemos de utilizar a palavra Réveillon.

 

Mas, continuando por onde havia começado, a (nem tão confiável) fonte sugere que o nome seria, então, Réveillon, pois todos passariam tal noite “despertos”. O que não faz muito sentido, por não refletir o caráter especial da noite em questão (podemos passar muitas noites despertos, por variados motivos: músicas e luzes repetitivas, monografias, plantões, insônia, etc.) Contudo, como dito anteriormente, a etimologia e sua precisão, não são tão importantes assim para o desenvolvimento deste.

 

O que seria importante aqui, então? Que tal o mais do que subjetivo “tom” da palavra? Réveillon parece soar démodé (até mais démodé do que “démodé”). Parece ser da mesma leva (ou estirpe) de palavras e expressões francesas como “nouveau riche”, “enchanté”, “c’est la vie”, “pince-nez”, etc. Uma herança mórbida de uma época na qual a elite “muderna” brasileira se cumprimentava pelas ruas aos gritos de “viva a França” (bradados em francês, é claro). Hoje, como os “mudernos” dizem “Hello” e consideram “ne me quite pas” breguissímo, Réveillon soa desnecessário, arcaico, antigo, velho, cheio de “décandence sans élégance”.

 

Além de todo o “tom”, a palavra ainda é de complicada grafia (os dois “l” e o acento em um lugar estranho, o que, na prática, força todos a buscar no google antes de postar no twitter) e soa não agradável aos ouvidos de nosso povo lusófono. Uma festa tão popular, tão geral, não pode receber um nome que em tudo (pronúncia, escrita, origem) seja tão elitista. Seria melhor, em última instância, popularizar sua grafia e pronúncia para “reveião”.

 

Mas, talvez, não precisemos chegar a tanto. Basta deixar que a elegância da solução mais simples e cada vez mais popular se aplique. Basta que usemos “Ano-Novo” ou “Noite de Ano-Novo”. Com hífen. Pois, é justamente o hífen, que reforça que o termo é um “conceito”, um termo único e especial, e logo, reforça a diferença de tal conceito com o do novo ano que se inicia ou de qualquer noite do ano novo que se inicia (um ano, no Brasil, talvez possa ser considerado “novo” até o passar da quarta-feira de cinzas). Além disso, o termo (do jeito que está grafado com hífen) está dicionarizado (pelo menos no meu Howaiss) e tem até plural (anos-novos). Por fim, convém ressaltar que convém caprichar na pronúncia (especialmente se for utilizar a forma plural) de modo a evitar mal-entendidos e/ou trocadilhos desagradáveis.

PS: Apenas depois da festa de Réveillon e deste artigo que descobri que existem várias festas pelo Brasil afora com o nome de Réveillon Enchanté...

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