Japonês: Por que Sua Escrita Parece Tão Complicada

Há muitos motivos para alguém querer aprender japonês.

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Talvez você queira poder assistir animes sem precisar de legendas, ou trabalhar em uma grande empresa, ou viver em um dos países mais prósperos e tecnológicos do mundo atual.

Se você é nipo-brasileiro (ou nikkei), você pode estar buscando se conectar com suas raízes.

Ou ainda, talvez, você simplesmente seja curioso e queira aprender uma língua milenar.

 

 

Ainda assim, muitas pessoas têm medo de começar a estudar este idioma, porque acreditam que ele é muito difícil de aprender.

A verdade é que não existem línguas mais fáceis ou difíceis: nosso aprendizado sempre depende de muitos fatores! Aquilo que pode parecer fácil para você no português, como saber a diferença entre “ser” e “estar”, pode ser muito difícil para um falante nativo de outra língua.

É por isso que hoje queremos encorajá-lo a se aproximar do japonês. Vamos desmistificar um pouco da escrita desta língua.

Afinal de contas, o que são aquelas letras estranhas? Como é o sistema de escritura do japonês?

 

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O alfabeto que usamos no português é o latino. Os japoneses chamam-no de rōmaji (ローマ字), que significa, literalmente, “caracteres romanos”.

Em contrapartida, existem dois tipos de caracteres no japonês, e em nenhum deles vemos a presença de letras latinas como no português. Os caracteres do japonês podem ser silabários ou logográficos.

Os caracteres silabários são agrupados no kana (仮名) e se dividem entre a escritura cursiva hiragana e a escritura angular katakana. Havia outros silabários kana no passado (como o man’yōgana e o hentaigana), mas hoje em dia, eles não são mais usados.

Por outro lado, o japonês utiliza os caracteres logográficos chineses conhecidos como kanji.

No japonês moderno, esses três sistemas coexistem e têm usos diferentes na língua. Vamos fazer uma breve descrição de cada um.

 

Hiragana (ひらがな)

 

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A escritura deste sistema usa letras mais redondas. Ele tem 46 símbolos no total. Como havíamos explicado anteriormente, ele é silabário, o que significa que cada caractere corresponde a uma sílaba. A pronúncia desse sistema torna-se fácil porque, com poucas exceções, há uma relação quase direta entre a escrita e a pronúncia.

O hiragana é usado para palavras de uso comum. Ele também é usado para palavras gramaticais como conjunções, preposições e determinantes. Alguns estudantes afirmam que é possível aprender os 46 símbolos do hiragana muito rapidamente – em apenas um dia. O outro motivo principal do uso desse sistema é que ele serve para saber como pronunciar o kanji.

Algumas palavras comuns escritas em hiragana:

さようなら – sayounara (adeus, tchau)

ありがとう – arigatou (obrigado/a)

こんにちは – konnichiwa (olá, bom dia, boa tarde)

 

Katakana (カタカナ)

 

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Os símbolos deste sistema têm traços mais alongados e elegantes. Ele é usado, sobretudo, para estrangeirismos (palavras “emprestadas” de outra língua), nomes estrangeiros (não japoneses) e onomatopeias.

Se você fala inglês, provavelmente será muito fácil para você identificar várias palavras em katakana.

Algumas palavras escritas em katakana:

ケーキ – keeki (bolo – note como a palavra se parece com cake, em inglês)

ブログ – burogu (blog)

カメラ- kamera (câmera)

テニス – tenisu (tênis)

 

Kanji (漢字)

 

 

Finalmente, o mais temido. Diferentemente do hiragana e do katakana, o kanji não é um alfabeto de sílabas, mas sim, uma coleção de logogramas, que representam palavras, e ideogramas, que representam ideias e significados. Eles são caracteres chineses que foram adotados pelos japoneses.

Geralmente, os kanjis se parecem àquilo que fazem referência. Por exemplo, rio 川 ou árvore 木 são fáceis de compreender rapidamente.

Originalmente, os chineses pretendiam que todos os seus símbolos se parecessem com o significado do que eles queriam expressar. Mas como então poderíamos, por exemplo, representar conceitos abstratos como honestidade ou dignidade?

Um aspecto interessante e até mesmo divertido dos kanjis são as combinações feitas entre eles para expressar palavras compostas. Pense em nomes como “guarda-chuva” em português, e você entenderá o que é uma palavra composta. Alguns kanjis compostos podem fazer sentido de maneira mais óbvia, como 足首: “pé” + “pescoço” = tornozelo. Outros podem ser um pouco mais complicados, mas não impossíveis de inferir, como 作文: “criar” + “escritura” = redação/composição escrita.

O que se torna mais difícil com o kanji não é tanto deduzir os significados dos símbolos, mas sim, aprender a pronunciá-los corretamente. Quase todos os kanjis têm, no mínimo, duas pronúncias diferentes: uma do chinês e outra do japonês.

Essas maneiras de pronunciar os símbolos podem ainda ser classificadas dentro de kun’yomi (訓読み) ou on’yomi (音読み), mas muitos estudantes de japonês dizem que conhecer essas duas classificações não é realmente necessário.

Os kanjis podem, ainda, estar acompanhados de furigana, que são pequenos hiraganas (escritos em cima dos kanjis) que explicam como pronunciar uma palavra. Um exemplo desse caso pode ser visto na imagem abaixo – a própria palavra furigana está escrita em kanji e, em cima dela, há outros símbolos menores escritos em kana que indicam como pronunciar a palavra:

 

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Algumas palavras contêm também okurigana, que são símbolos kana que ajudam a desambiguar a leitura correta dos kanjis. Por exemplo, as palavras omakaiかい (pequeno) e hosoi (fino) são escritas da mesma maneira em kanji, mas seu significado e leitura mudam por causa dos okurigana que aparecem ao lado delas.

As partes – ou os “desenhos” – de um caractere kanji são chamadas “radicais” ou bushu (部首). Cada radical tem um nome. Já que às vezes os nomes deles coincidem com os significados dos kanjis que eles conformam, os radicais também podem ajudar a interpretar o significado ou maneira correta de ler um kanji. Como exemplo, vejamos o radical 二 (ni). Ele é, ao mesmo tempo, um radical e o símbolo em kanji utilizado para representar o número 2 (dois).

Embora o japonês tenha muitos termos escritos em kanji, há algumas palavras que simplesmente não têm um equivalente escrito nesse sistema. Outras, ainda, têm um kanji tão complexo que elas acabam sendo escritas em um sistema diferente.

 

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Por onde começar?

Se você quer expandir seu conhecimento sobre cultura e a sua maneira de pensar, o japonês é para você! Você precisará exercitar sua memória e incorporar vários símbolos e seus significados à sua cognição. Existem muitos métodos e recursos para facilitar esses processos, como as mnemotécnicas. Seu aprendizado será muito mais rápido se você contar a ajuda de um bom professor.

Nós contamos com professores nativos e qualificados que terão prazer em ajudar você em sua jornada!

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