Dia 16 de Novembro de 2021 se deu o início da celebração do Centenário de José Saramago.

Nascido em Azinhaga, em 1922, numa pequena povoação situada na província do Ribatejo a uns 100 km de Lisboa, se ainda fosse vivo, teria completado neste dia de início da sua celebração centenária seus 99 anos.

Seu último nome, Saramago, é devido a iniciativa de um oficial de Registro Civil em acrescentar a palavra pela qual a família de seu pai era conhecida na aldeia.

Fundação José Saramago

Imagem: Fundação José Saramago 

Saramago

O seu nome para quem não sabe, é uma planta herbácea espontânea, muito comum em Portugal,  que naqueles tempos, em épocas de escassez, suas folhas eram utilizadas como alimento às famílias mais pobres.

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Lisboa, 1924

Em 1924, José Saramago mudou-se com a família para viver em Lisboa. Seu pai, na época, queria abandonar a vida do campo e começou a trabalhar como polícia de segurança pública.

Seu irmão, Francisco, 2 anos mais velho, veio a falecer dois meses após terem se instalado na capital.

Serralheiro Mecânico

Saramago sempre foi bom aluno, como é de se imaginar, tirava notas altas e completava os anos sem esforço e de forma avançada.

Entretanto, devido a falta de recursos da família, teve de abandonar o Liceu e como alternativa apresentou-se para frequentar a escola de ensino profissional e durante 5 anos estudou o ofício de serralheiro mecânico.

Surpreendentemente, o seu programa de estudos da escola profissional, dava-lhe disciplinas de Literatura e Francês. Foram os livros de Português desse curso de serralheiro, que lhe abriram as portas para o universo literário.

Ao finalizar o curso, trabalhou durante cerca de dois anos como serralheiro mecânico numa oficina de automóveis, enquanto aprimorava em horários noturnos o gosto pela leitura em uma biblioteca pública da cidade.

O primeiro livro de Saramago

Após ter trabalhado como serralheiro mecânico e como administrativo na Segurança Social, em 1947, no ano de nascimento de sua única filha, Violante, publicou o seu primeiro livro. O qual, havia sido entitulado por ele como A Viúva, mas por motivos editoriais foi lançado como Terra do Pecado. 

Clarabóia, teria sido sua segunda tentativa, e iniciou um outro, que não avançou além das suas primeiras páginas, nem sequer a um nome definido.

A questão da dúvida do título foi solucionada quando resolveu deixar de vez o mundo literário Português.

Achava que não tinha nada de relevante a dizer ou acrescentar a este mundo, e foi assim durante 19 anos, quando em 1966 publicara o livro Os Poemas Possíveis, sua primeira obra poética. 

“…estive ausente do mundo literário português, onde devem ter sido pouquíssimas as pessoas que deram pela minha falta.”  José Saramago.

Em 1950, foi quando regressou ao mundo das letras, e começou a trabalhar numa editora, a Estúdios Cor, responsável pela produção.

Para melhorar os seus rendimentos, em 1955, iniciou trabalhos como tradutor de línguas, pelo qual tinha muito gosto e continuou até 1981.

Além disso, paralelamente, entre 1967 e 68 também atuou como crítico literário.

O Golpe de 1975 e o futuro de José Saramago

Novamente, em Novembro de 1975, Saramago se viu sem emprego, havia sido demitido de seu cargo de director-adjunto do Diário de Notícias, na sequência das mudanças ocasionadas pelo golpe político-militar de 25 daquele mês.

Foram nestas circunstâncias, que o escritor serralheiro, decidiu dedicar-se inteiramente à literatura.

Logo após, instalou-se no Alentejo e durante esse período de observação e estudo, deu-se origem ao seu estilo de narração que caracteriza a sua ficção novelesca, como ele mesmo a descreve, dando origem ao romance lançado em 1980, Levantado do Chão.

De acordo com sua biografia, a década de 80 foi dedicada a diversos romances, como: Memorial do Convento, 1982, O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984, A Jangada de Pedra, 1986, História do Cerco de Lisboa , 1989.

Censura militar e As Ilhas Canárias

Em consequência da censura exercida pelo Governo português sobre o romance O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991), vetando a sua apresentação ao Prémio Literário Europeu sob pretexto de que o livro era ofensivo para os católicos, Saramago e sua esposa na época, a jornalista espanhola Pilar del Río, foram para a Ilha de Lanzarote, nas Canárias.

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Cena do filme: Ensaio Sobre A Cegueira

Foi então, que em 1995 escreveu O Ensaio Sobre a Cegueira que deu origem ao famoso filme dirigido por Fernando Meirelles, e em 1997 Todos os Nomes e O Conto da Ilha Desconhecida. 

Além disso, em 1995 foi lhe atribuído o prêmio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa, e em 1998 o o Prémio Nobel de Literatura.

O Centenário de José Saramago

De fato, este senhor Português tem uma imensa importância no mundo literário, bem como no mundo teatral e criativo, mas, além disso, de carácter social e político.

Nesse meio tempo, participou em diversas acções reivindicativas da dignificação dos seres humanos e do cumprimento da Declaração dos Direitos Humanos pela consecução de uma sociedade mais justa.

Sendo assim, para um homem de tamanha grandeza, a sua jornada diversificada, rica e extensa, será celebrada durante 1 ano até o dia de seu aniversário em 2022, quando faria 100 anos.

Por consequência, diversas atividades serão tomadas com um programa cultural internacional em torno do Nobel da Literatura.

Por fim, colocamos aqui a programação completa dessa celebração histórica www.josesaramago.org.

“Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória.” José Saramago.

José de Sousa Saramago foi considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.

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